30.4.07




vista de casa, do alto de Itaipava, média de temperatura 17 graus quando o sol não aparece. hoje apareceu. imagem captada por Fernando Ferreira. dias de descanso entre leituras de Adélia Prado: O homem da mão seca e Manuscritos de Felipa. se quiserem escolher, pra economizar, recomendo O homem da mão seca. os Manuscritos são repeteco. falando em livros, ó dó, deve ser triste alguém se esfalfar para traduzir um livro e o resultado sair ruim, valorizo o esforço, mas querer aparecer mais do que o autor não. de quem falo? da recente tradução brasileira dos poemas de Emily Dickinson. não recomendo. joguei dinheiro fora. só leio as páginas pares, com os poemas em inglês. a edição é bilíngüe, menos mal. amanhã tem Elimar Santos no show da Exposição Agropecuária de cá. alguém se interessa? é, toca musiquinha. o blog? vou tocando...
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21.4.07





Bilhetinho de Gertrude Stein para
Alice B. Toklas. Arquivo pessoal, s/d.


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10.4.07



tendências


bolsa de autógrafos: veja só quanto valem os livros autografados de nossos escritores, vivos ou mortos. curioso notar como o mercado pode ser injusto e às vezes extremamente sábio.

Bruna Lombardi - 70 reais
Nélida Piñon - 55

Jô Soares - 65
Chico Anísio - 50

Gilberto Freyre - 225 reais
Olavo de Carvalho - 90
Alceu Amoroso Lima - 90
Plínio Salgado - 80
Carlos Lacerda - 45

Di Cavalcânti - 455
Jorge Amado - 80
João Ubaldo - 65
José Sarney - 55

Rubem Braga - 200
Otto Lara Resende - 125
Paulo Mendes Campos - 90
Fernando Sabino - 75

Dalton Trevisan - 300 reais
Raduan Nassar - 225
Caio Fernando Abreu - 175
Paulo Coelho - 110
Antônio Callado - 90
Stanislaw Ponte Preta - 85
Moacyr Scliar - 75
Luís Fernando Veríssimo - 65
Cony - 60
Jorge Mautner - 55
Ignácio de Loyola Brandão - 30

Dias Gomes - 255
Plínio Marcos - 90

Pelé - 455 reais
Guimarães Rosa - 145

Rachel de Queiroz - 95
Marina Colasanti - 90
Lya Luft - 50
Lygia Fagundes Telles - 40

poesia:

Adolfo Casais Monteiro - 720
Guilherme de Almeida - 420
Sergio Milliet - 325

Waly Salomão- 220
Haroldo de Campos - 210
Cassiano Ricardo - 210

Jorge de Lima - 150
Menotti Del Picchia - 110
Raul Bopp - 110

Thiago de Mello - 90
Moacyr Félix - 55

Adélia Prado- 50
Chacal - 45
Affonso Romano - 35
J. G. de Araújo Jorge - 30


-- o livro mais caro que encontrei foi um autografado pelo astronauta americano David R. Scott, 5.000 reais. os mais baratinhos, por 1 real, os de um budista aí falando de ioga, Prabhupada?
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9.4.07




piadinha de scriptorium


Um sujeito entra num bar em Chicago às cinco da tarde e pede três uísques. Não um depois do outro, e sim três de uma só vez. O barman fica meio intrigado com o pedido inusitado, mas não abre a boca e serve o que o homem pediu -- três uísques alinhados no balcão, um do lado do outro. O sujeito toma todos eles, um por um, paga a conta e vai embora. No dia seguinte, lá está ele de novo, às cinco da tarde, e pede a mesma coisa. Três uísques de uma vez. Faz isso todo dia durante duas semanas. Por fim, a curiosidade vence o barman: não quero me meter, diz ele, mas o senhor vem aqui todo dia, há duas semanas, e sempre pede três uísques ao mesmo tempo, eu só queria saber por quê. Quase todo mundo pede um de cada vez. Ah, diz o sujeito, a resposta é muito simples. Eu tenho dois irmãos. Um mora em Nova York, o outro em San Francisco, e nós três somos muito chegados. Como forma de honrar nossa amizade, sempre vamos a um bar às cinco da tarde, pedimos três uísques e em silêncio brindamos à nossa saúde, fingindo que estamos todos juntos no mesmo lugar. O barman meneia a cabeça, entendendo finalmente o motivo do estranho ritual, e esquece o assunto. O sujeito continua a aparecer no bar por mais quatro meses. Sempre às cinco da tarde bebe os três uísques. Até que um dia aparece mas dessa vez pede só dois uísques. O barman fica preocupado e, tomando coragem, resolve dizer: não quero me meter, mas todo dia, nestes últimos quatro meses e meio, o senhor veio aqui e pediu três uísques. Hoje pediu dois. Sei que não é da minha conta, mas espero que não tenha acontecido nada com sua família. Não aconteceu nada, não, diz o sujeito, muito animado e alegre como sempre. Então o que foi?, pergunta o barman. A resposta é muito simples, diz o homem. É que eu parei de beber.


-- do livro Viagens no scriptorium, de Paul Auster. Um produto que saiu muito bem embalado na edição brasileira de 2007, mas com alguns erros básicos de tradução. Não chegam a prejudicar a legibilidade do leitor menos exigente. Um livro mediano, começa muito bem e vai ficando chato pelo caminho. O fecho é bom. Chegou a me enganar. A crítica internacional achou o livro anacrônico. A brasileira soltou um "fina reflexão sobre o fazer literário". Bullshit. É previsível mesmo, fórmula, mas tem seus méritos. Mantém o suspense nas primeiras páginas, por isso digo que chegou a me enganar. Talvez um dia eu me engane novamente e passe a achar que é um livro excelente. -- A foto do BelAir neste post é minha, uma dor de dente inesperada também. Consultorium fechado: que feriado sofrido.



3.4.07





buffet saint etienne

le cocô veni du bumbum
le xixi veni du pipi

bumbum...
...pipi
cocô...
...xixi

bon apetit!

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não gosto do que escrevo. não escrevo para que me leiam, ela disse para o gravador ao meu lado. se acharem que isso é mentira, não vou mudar minha vida para contar o que eu acho que seja verdade. escrevo para mim. segundo minhas necessidades. para que uma voz me acompanhe até o final dos meus dias. não vou escrever melhor. escrever o que não posso. escrever pouco como se estivesse à beira de muito. ser mais uma falsa discípula de prepúcios russos, uma utilidade pedagógica. de qualquer forma o leitor se aproxima dos livros bonitos pela frente, dos feios, por trás. meu editor, com sudorese de porsche, diz que sempre há público para relatos enojosos de pequenas emoções domésticas. o meu caso. que um livro errado pode dar certo. e o certo dar errado. eu confio no meu editor, ele tem 1 giga de memória e administra bem minha inibição de competitividade. até o final do ano serei traduzida em seis idiomas. amanhã me mudo da sacadura cabral.
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o poema em francês é de patrick matzenbacher, captado no site do
marcelo noah. veja muitos outros poetas lá. o segundo texto é meu mesmo. e boa semana santa a todos. sem chagas.

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2.4.07

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