27.3.09

Receita de fluxo de consciência


The Voyage In



O que fazer amanhã?


Sabe-se que a grande escritora Virginia Woolf,
que um dia recebeu a alcunha de "a Proust inglesa",
costumava curar suas notórias depressões
limpando e esfregando uma cozinha bem suja e



preparando receitas de sua preferência,
como pratos de hadoque e

linguiça. Na foto acima vemos o "fluxo de consciência",
um mexidinho de grãos com linguiça, o prato preferido
nas madrugadas do grupo de Bloomsbury.


Sylvia Plath,
que só tinha estômago para insípidas sopas de tomate,

ao tomar conhecimento dos métodos de sua colega,
comentaria, lambendo os beiços anos depois:
"Bless her."

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20.3.09

Diário de Marilyn Monroe




Terça-feira, 8. Ele me deu um presente. Um jogo de xadrez. Um jogo de reis e de bispos. Todas as peças podem matar, prender. A mais forte é a rainha. O rei morre logo no início. Não sei para quem é o meu jogo. Avanço minhas peças no escuro.

Não gosto de escrever. Preciso encontrar outra coisa. Talvez goste demais de ler. Os livros, aqueles de que gosto de verdade, na primeira vez que os leio tenho a impressão de que é como se os relesse, como se os já tivesse lido. Um pouco como quando se conhece certas pessoas, com a certeza de que na verdade as reencontra. Hoje dei com esta frase de Kafka: "O capitalismo não é apenas um estado da sociedade, é um estado de alma." Os livros, não os termino. Não gosto das últimas páginas. Das últimas palavras. Das últimas tomadas. Das últimas sessões.


Marilyn Monroe, 8 de maio de 1962, em um caderno de anotações.

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