23.4.12

Jacques Rigaut



Meu livro de cabeceira é um revólver.




























Eu queria tanto ser amado
que parece que amo.





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20.4.12

Real Sally







A Sally Bowles de Liza Minnelli, versão de Bob Fosse para o cinema, 1972.















A verdadeira Sally Bowles, Jean Ross. A cantora e atriz britânica vivia na Berlim pré-nazista quando lá conheceu em 1931 Christopher Isherwood, que baseou-se nela para a posterior criação do famoso personagem, embora no final de sua vida o autor tenha admitido que pouco se lembrava de Jean Ross. A verdadeira Sally Bowles era uma ativista política extremamente inteligente e dinâmica, na vida real pouco tendo a ver com a frágil e insegura personagem criada pelo autor. Casada com o autor Claud Cockburn, Jean Ross morreu em 1973 e nunca quis comentar muito sobre o personagem a que serviu de modelo.









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16.4.12













Virados para a meia-noite, os intestinos de Nereu são um vozerio de homens ao mar. Daquele lado ou do seu contrário. Por isso ele me pede a cada manhã que conduza mais célere os acontecimentos na cozinha. Nunca hei de perdoar-lhe meus pessegueiros afogados. O meu estado de alma – esta linha do horizonte que o sol não atinge mais. Orgulhoso dos méritos de sua digestão, que expressa por som e imagem, não é pequeno o desejo de vê-lo morrer pendurado em um deles enquanto descasco um continente de batatas tomando-me pela mão. Batatas não me levam muito longe. Não à Muralha da China. Abacate limão podre tangerina. Porque tudo isso se encontra por aí, plantas para o tempo arrancar, com toda a raiz. Vasos cheios de amor, sem ninguém a lhes tocar. Pão fresco. Derrotando por um fino curso d’água que paga caro pelo que arrasta, não vou muito longe. Não vou. Depois que as chuvas refrescam o ar, a lua segue o seu destino. Ou volta para casa. Ninguém deve sair à superfície após o terceiro toque.


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