20.7.14

Bill Callahan




Dress sexy at my funeral my good wife
Dress sexy at my funeral my good wife
For the first time in your life
Wear your blouse undone to hear
And your skirt split up to here 

Oh Dress sexy at my funeral my good wife
For the first time in your life
Oh Dress sexy at my funeral my good wife
Wink at the minister
Blow kisses to my grieving brothers 

Dress sexy at my funeral my good wife
And when it comes your turn to speak before the crowd
Tell them about the time we did it
On the beach with fireworks above us 

On the railroad tracks with the gravel in your back
In the back room of a crowded bar
And in the graveyard where my body now rests 

Oh Dress sexy at my funeral my good wife
Dress sexy at my funeral my good wife
For the first time in your life 

Also tell them about how I gave to charity
And tried to love my fellow man as best i could
But most of all don't forget about the time on the beach
With fireworks above us 


14.7.14

Lauren Shapiro






The Conversation


There is always a woman eating a sandwich.
Today she is large as everything
that wasn't said. It is ham and cheese.
Who cares. You're watching me, she seems
to say. Being alone is unlike a chess move.
It is unlike hanging out at the bowling alley
with Dale Hickey. A hundred stuffed animals
the size of a fist and I can't make the claw catch.
Turkey, says Dale Hickey. The lights
are making turkey shapes all over
the place.Turkey. I heard you.
The woman has finished eating her sandwich
and is on to another one. Now she is tiny
as a shrimp. She is eating the smallest
egg salad sandwich in the world. I think,
Maybe I will speak to her. But she does it first.
I've wanted to talk to you for ages, she says,
but instead I keep eating all these sandwiches.
I know, I say. And I keep going to the bowling alley
with Dale Hickey. It's been hell.




28.5.14

Maya Angelou 2




  A Conceit


Give me your hand

Make room for me
to lead and follow
you
beyond this rage of poetry.

Let others have
the privacy of
touching words
and love of loss
of love.

For me
Give me your hand. 



Maya Angelou

3.5.14

Assionara Souza



Mas de quem, afinal, temos ouvido falar
quando se fala de literatura?

Também não sei 
Só sei que sonhei com a Joana 
a semana passada
Estávamos, as duas, num evento literário
muito importante, de alguém importante
Um desses senhores que têm feito da literatura
uma coisa burra e desconfortável, 
em seus trajes alinhados e cerimoniais
Eu vi a Joana e pensei: a Joana, por aqui,
mas ela não estava morta?
Eu sabia que sim, ela não...
E estava tão linda, como sempre
O cabelo bem curto, preto
como uma daquelas atrizes dos anos 30
Falou baixo, me confessando:
Não sei o que anda acontecendo comigo,
tenho me sentido estranha...
Eu, sempre falsa, não podia jamais dizer:
Será que é porque você morreu, Jô?
Ela tentou me cumprimentar
Mas caiu com todo o corpo
Num canto da sala
Logo em seguida, levantou-se e disse:
Viu?, tem sido assim, ultimamente
Tudo muito estranho...


E sei, Joana. E virando as páginas
de seu preciosíssimo livro tão pouco lido
lamento tanto de não nos termos conhecido mais,
nos festejado mais, longe das festas literárias e tais
desses senhores bem trajados e escovados e desconfiados

Agora eu imagino Joana lendo esse texto
aqui ao lado enquanto escrevo
E sabendo de tudo
Que ela está morta, que a literatura é algo fragilíssimo
E que todos nós nos sentimos um pouco mortos
e envergonhadíssimos, depois que ela morreu...





25.4.14

Angélica Freitas




 um poema


quando tinha 19 anos
trabalhei num mercadinho
arrumava as prateleiras
tirava o pó das latas e caixas 
colava etiquetas de preço
deixava tudo parelho
e olhava e gostava
do que tinha feito
'as coisas que vendem mais
ficam ao nível dos olhos'
o dono me dizia
(do que as pessoas
precisam?
e estas latas de tomates
baixo, ponho em oferta?
'não, se você terminou
as prateleiras
pode limpar o depósito'
eu ia e comia chocolates
escondida no depósito)
o homem, às vezes
elogiava minha organização
e limpeza, nunca 
o meu julgamento
enfim, ainda penso 
naquele mercadinho
quando leio alguns (meus,
de outros) poemas.



21.4.14

Rita Barros



linha 1: azul

eu vestia uma saia e subi aos céus
de escada rolante
a escada rolante engoliu minha saia foi tão
rápido não deu tempo de puxá-la
fui engolida com ela
e lá fomos nós
a saia e eu
rumo ao misterioso interior
de uma escada rolante
ali colhíamos de tudo
unha de gato
dedo de moça
pata de elefante
brinco de princesa
sapatinho de judeu
cabelo de anjo
ora pro nobis
todos os dias o céu precipitava
fragmentos de palavras giratórias e pessoas-
espaguete 
contentava-me com elas
decidi ficar
e foi assim que me mudei para debaixo da escada
rolante uma escada rolante não tem
fim


linha 9: esmeralda

cigana do banco
que faz
            ciranda de velas
            pombas
            pipocas-
            doces dedos escarlate

a boca cheia
de dentes de ontem
de ouro charuto e tarot

com o cabelo muito loiro e débil
e a boca que guarda o mundo
ela liberta todos os presos

danço com eles pela faixa preferencial
danço sua gaiola de gárgulas
e esqueço

os tolos não sabem ou sabem

[ela desenha um círculo de talco e pena na calçada em frente
ao banco real]

cigana do banco
tenho medo dela
tenho medo de
              não voltar


(mais da autora em seu blog Sede de Pedra)


Raul