28.8.16

Eileen Myles



our happiness

was when the
lights were
out
the whole city
in darkness
& we drove north
to our friend’s
yellow apt.
where she had
power & we
could work
later we stayed
in the darkened
apt. you sick
in bed & me
writing ambitiously
by candle light
in thin blue
books
your neighbor had
a generator &
after a while
we had a little
bit of light
I walked the
dog & you
were still
a little bit
sick
we sat on a stoop
one day in the
late afternoon
we had very little
money. enough for
a strong cappuccino
which we shared
sitting there &
suddenly the
city was lit.




27.8.16

e eis que o apelido interno veio à tona

Seven's Day






Over the line, we think twice. 

“It’s not the way,” they say, 
But it will have to do. 
And, I’ll speak to you in time. 

I’ll be on my best, for sure. 
You can rest assured-- 
Til’ seven’s day. 
These are not the blades of grass 
That you came for (at last). 

And the pain, it subsides 
With the weight of all your 
White lies. 

I’ll be on my best, for sure. 
You can rest assured-- 
Til’ seven’s day.





21.8.16

Henrik Nordbrandt


Adonde quiera que vayamos 

Adonde quiera que vayamos 
siempre llegamos demasiado tarde a aquello que una vez salimos a buscar. 
Y en cualquier ciudad en que nos quedamos 
están las casas a las que es demasiado tarde para volver
los jardines en los que es demasiado tarde para pasar una noche de luna 
y las mujeres a las que es demasiado tarde para amar
lo que nos tortura con su intangible presencia.

Y sean cualesquiera las calles que creemos conocer
nos llevan más allá de los jardines floridos que andamos buscando
y que difunden por toda la vecindad sus pesadas fragancias. 
Y cualesquiera que sean las casas a las que volvemos
llegamos demasiado tarde por la noche para ser reconocidos.
Y cualesquiera que sean los ríos en que nos reflejamos
no nos vemos hasta que les hemos dado la espalda.

(trad. Francisco Uriz)


e.e. cummings

The Dining Rooms - Occhi Neri

Linda Weintraub - "Water Water"







Ana Salomé



Lume


Comecei a fumar para te pedir lume.
Para arranjar um motivo. Para.
Tens lume? Perguntei-te.
Sim. Disseste. Levaste a mão ao bolso.
Engatilhaste o zippo. Todo prateado.
Abeiraste-te e fizeste concha com a mão direita.
Eras canhoto, como o coração.
Agora. Disseste.
E levei o cigarro até à chama.
Já está. E sorriste.
Importas-te que te acompanhe? Perguntaste.
Não, claro que não. Claro que não.
Está frio. Disseste. E esfregaste as mãos.
O cigarro sempre aquece.
Sim. Tossi.
Estás bem? Perguntaste.
Estou muito bem.
Óptimo. Disseste. E sorriste.
Aquele café além é acolhedorNão tomas nada? 
Um chá fazia bem à tosse. Perguntaste. E disseste.
Sim, um chá calhava bem. Estava mesmo a apetecer-me.
Parece que adivinhei. Disseste. E aí sorri eu.
Tomámos chá e de imediato fizemos planos de vida
Que correram mal, imediatamente mal.


Comecei a fumar para te pedir lume.
Para passar o frio.
Descobri que não viria a morrer
Nem de cancro pulmonar, nem de amor,
mas da própria morte, mal o lume se apagou
e o café fechou as portas. Para sempre.




28.7.16

Mathias Svalina




The Wine-Dark Sea



The wrinkles around my eyes
& my cracked teeth:

finally
some objective facts.

What I am scared of most
is never transmitted.

If I had will
I’d be dead.

I can’t remember when
I decided I would kill myself.

It happened all at once,
not like a levee breaking,

like a car,

at the end of a workday,
turning off the road
& into a driveway.