11.8.12

Facundo Cabral

Me gusta el sol y la mujer cuando llora
las golondrinas y las malas señoras
saltar balcones y abrir las ventanas
y las muchachas en abril
Me gusta el vino tanto como las flores
y los amantes, pero no los señores
me encanta ser amigo de los ladrones
y las canciones en francés
No soy de aquí, ni soy de allá
no tengo edad, ni porvenir
y ser feliz es mi color
de identidad
Me gusta estar tirado siempre en la arena
o en bicicleta perseguir a Manuela
o todo el tiempo para ver las estrellas
con la María en el trigal
No soy de aquí, ni soy de allá
no tengo edad, ni porvenir
y ser feliz es mi color de identidad 

6.8.12

Moça lendo em Itu


Duas vezes por mês Indalécio abre mão das rodas literárias noturnas e oferece sua casa da Rua Nove para glomérulas de operários chapeleiros, congressos da lavoura, associações de padeiros, confeitarias e anexos. Indalécio não tem um interesse particular por problemas sociais e de governação do país, mas simpatiza com quem não vota como carneiros ou cousas. O dever de todos é luctar. E luctar até o fim -- aprendeu com o tio-avô morto, um primo-irmão de Le Douanier, pintor que de bom grado morreu gangrenado de uma perna antes que se lhe perdessem as duas na primeira guerra. E Indalécio gosta de ouvir os mortos, pois mortos falam como gente de hoje. Herdeiro de uma fábrica de elásticos, Indalécio é poeta e cafeicultor, para ele duas atividades que eram uma a casca da outra. Questão pra gosto. Hoje a reunião era dos cafeicultores. Ordem do dia: o combate ao lucro pelo “praguismo” e o Convênio de Taubaté. Para quebrar o indiferentismo da classe, uma argamassa de solidariedade precária, ele servia do seu próprio café e do café dos concorrentes presentes. Polidez para uns, concessão de emergência para outros. Como todo poeta, Indalécio intitulou a assembleia A Noite das Xícaras. Serviu-as pessoalmente em três movimentos. O primeiro indo até a quarta xícara, o segundo, da quinta à décima, o terceiro finalizando o poema: uma bela travessa de castanhas assadas com manteiga fosfatada. O cafezista 





de Santa Cruz arengava de boca cheia, excitando contendas num andante bíblico. Ninguém dorme nem cochila. Estava hasteada a bandeira nacional em terras roxas do vinho do Islã. "Antes de ensurdecerem-me os ouvidos, de fecharem-me os olhos, antes que sequem as cachoeiras de Tapajós e que o nosso café vire coco, não podemos tolerar mais essas negociatas torvas que fermentam nas mentes ambiciosas de pouco bago, trazendo instabilidade e vergonha..." Indalécio pede um minuto para o toilette. O sr. Redinha concede e prossegue. Na sala do seu trono, sua sala de pensar, decorada com motivos piscatórios, Indalécio ora à Mater Castissima -- Purissima, que me importa se os jacus cagam café? E um cahué do mais saboroso. Questão pra gosto. Se a Terra gira trinta quilômetros por segundo. Se as senhoras não levam até o fim seus estudos de contraponto. Se as laranjas passam por um banho de asseio antes de irem à venda. Se Hortencia me mortifica com suas intimidades e remolhos com a marquesa. Se esta gente vem à minha casa salpicá-la de intrigalhas, como o manto de Napoleão o é de abelhas de ouro. Virgine Madre, figlia del tuo figlio, se o sangue do jacu virar café, mais rubro será o céu. Como sofre o homem vegetariano de intestinos curtos. Alma minha incognoscível/ Lunática, nostálgica, demente/ Evadida das grades do Impossível. Cumprido o seu ofício, Indalécio comunga, ergue as calças e volta aos debates. A moça não há de notar. Há muito tempo que a hóstia mais parece papel do que pão.





1.8.12

James Joyce & Nora Barnacle

Ouça trechos da inédita My Sweet Little Farter,
de James Joyce, novamente na voz pungente de
Angela Wiedl, aqui interpretando Nora Barnacle
após sua primeira noite de sexo com o autor e marido.



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Gore Vidal 1925-2012



Estilo é saber quem você é, o que quer dizer e pouco se lixar.