31.1.07

verão 2007




uma meia fina velha com serragem de cedro dentro
um banho de vinagre
bicarbonato de sódio
mould killer 750 ml
metalatex antimofo

cal
vedacit
giz
lavar com detergente todo dia

ligar aquecedor
abrir portas
enxugar enxugar

hum, isso não vai dar certo

afinal, como evitar mofo em rapadura?

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link do dia

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28.1.07

Das coisas que não interessam a ninguém mas otário gosta de saber


minha família




Pikachu, meu vira-lata. Eu poderia dizer aqui que ele é um münsterländer de porte pequeno e pêlo curto que qualquer um acreditaria --leitores de blogs acreditam em qualquer merda que lêem -- mas prefiro não seguir o rumo desta prosa. Hoje é domingo, o pior dia da semana, um dia de família e churrasco e tédio, por isto sai este post-família. Pikachu é um descendente remoto de pointers, isso sim se aproxima mais da verdade. É meu cão de alarme. Apesar de muito carinhoso, é anti-social e invocado, só gosta da família. É a vanguarda de



Keka, minha rott. Esta sim o verdadeiro poder -- cão de guarda, raça pura, tatuada, filha de campeões, o que para ela não significa absolutamente nada. Dócil, sociável e preguiçosa, fora de seu território é uma bobalhona, você pode virá-la do avesso se quiser, coisa que ninguém se arrisca. Se você for amigo da família, sem problemas. Estas fotos foram tiradas na casa de Minas que não é mais nossa casa, veja o estado esbugalhado do jardim, sinal de que já não queríamos mais ficar ali (eu já tive mais de 20 endereços na vida). Ontem numa pet, apaixonei-me por um filhote de pastor canadense. Ficou só no desejo, não posso ter outro cachorro agora. Hoje é domingo, dia de família e tédio, só meus cachorros não entendem assim. Eles são felizes.

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Link do dia

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25.1.07

e si sêsse?



se um dia nós se gostasse
se um dia nós se queresse
se nós dois se impariasse
se juntinho nós dois vivesse
se juntinho nós dois morasse
se juntinho nós dois drumisse
se juntinho nós dois morresse!
se pro céu nós assubisse?
mas porém se acontecesse
qui são Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse
te dizê quarqué toulice?
e se eu me arriminasse
e tu cum insistisse
pra qui eu me arresorvesse
e a minha faca puxasse
e o buxo do céu furasse?...
tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôda fugisse!!!


-- Zé da Luz acompanhado ao piano por James Joyce.



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9.1.07




Alô, alô, Rio de Janeiro: após o lançamento em Brasília, paco cac, ou Paulo Custódio, poeta e professor de literatura carioca, convida para o lançamento do Revistas Literárias Brasileiras nesta quinta-feira na livraria do Museu da República. Como explica o autor na introdução do livro, a edição do primeiro volume do livro Revistas Literárias Brasileiras busca resgatar e registrar às futuras gerações a memória de publicações nas suas mais diversas formas de produção e projetos estéticos. Este primeiro volume comprende o período de 1970 a 2005, com 142 títulos. Neste trabalho não estão incluídas as revistas acadêmicas vinculadas às universidades federais, estaduais e privadas e as editadas pelas academias municipais e estaduais de letras. O ano de 1970 marca o começo desta investigação por ter sido o ano em que a censura prévia a períodicos , à imprensa e à encenação de peças teatrais foi ratificada no Brasil.
É isso. Eu recomendo pelo tema e por ser o Paco, velho amigo na batalha de publicações independentes. Lá pelos anos 1980 editamos uma revista literária chamada Gandaia da qual participaram um bando de poetas, entre eles Rubens Figueiredo (sim, na época ele era poeta e traduzia poemas de e. e. cummings), Antônio Fernando Borges (hoje machadiano), Cesar Cardoso (hoje ainda poeta e redator de humor), Claufe Rodrigues (antes de ser Camaleão do Pedro Bial) e muitos outros de que não lembro agora. A revista durou uns 7 números, coisa rara na época. Hoje Paco mora em Brasília e é lá que persiste com seus projetos sempre voltados para a divulgação da poesia e de poetas.
Ah, sim, Paco avisa que quem estiver interessado em conhecer e trocar informações sobre as revistas poderão entrar em contato com ele, é só escrever para pacocac@terra.com.br. Vamos lá?


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6.1.07

recado 1

O
Prosa&Verso, caderno literário d'O Globo, dá início hoje, em sua versão online, à publicação de resenhas de livros. E em seu dia de estréia escolheu Música para camaleões, de Truman Capote, e Não feche seus olhos esta noite, desta que vos fala. A resenha é de Beatriz Resende e você pode ler aqui.

recado 2





tu pisarás meus caminhos
proibidos,
flutuantes no que foste,
refletido no que nem és.


-- mário peixoto


a proposta

recompensarei generosamente quem puder me oferecer uma cópia em DVD do filme Limite, de Mário Peixoto. minhas cópias se perderam. Mário Peixoto, para quem não sabe, era um cineasta para o mundo, mas um poeta para poucos. o poeta além dos limites do mar. fez um filme só. em 1930. para mim, o melhor filme brasileiro de todos os tempos. melancólico. carregado de símbolos e significados ocultos que tocam cada pessoa na qualidade de sua melancolia. autopsicanálise sem ouvidos mercenários. aguardo respostas por meu e-mail. obrigada.

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2.1.07



NÃO FECHE SEUS OLHOS ESTA NOITE (Maira Parula -- Rocco) -- Eu também não sei o que esse ímpeto significa, mas ele, porra, está todo aqui, nesse livro da Maira. Um livro que já começa explodindo uma primeira boca em duas linhas e que pára logo adiante pra fritar alguns bifes. Um livro que se descolou de mim e passou a me tratar como sombra. Um livro que me arrastou linha após linha só pra me deixar assuntar o que ele estava fazendo. Um livro que faz coisas. Eu o li na penumbra, dentro de um ônibus Goiânia-Brasília, na noite em que o Brasil perdeu pra França. Não tentei, mas mesmo que tentasse (pra quê?) eu não conseguiria medi-lo. Um livro que faz ruídos engraçados enquanto mastiga o leitor. Um livro que me deixou com tesão e com vontade de fodê-lo e até hoje não sei bem por quê. Também não quis pensar a respeito. Um livro dos mais loucos, com um corte de cabelo bem estranho. Não conheço a Maira pessoalmente, embora me corresponda com ela desde pequeno. Ela me ensinou uma pá de coisas. Me ensinou que é preferível quebrar ao meio a se dobrar. Não feche seus olhos esta noite é um livro quebrado ao meio. Igualzinho a mim. Maira o escreveu pra mim. Talvez nem ela saiba disso, mas eu sei que foi. Nem sei como agradecer.


-- palavras de André de Leones, jovem autor de Hoje está um dia morto, publicado pela Record, um livro que também li de um fôlego só. Para André, o Não feche é um dos melhores livros que ele leu em 2006. Leia também, nem que seja para discordar dele. À venda aqui, na Travessa, Cultura, Submarino e boas livrarias do ramo, tudo sob encomenda, claro. Os livreiros não têm espaço a perder em suas padarias. Aproveite o restinho do seu décimo terceiro e dê o livro de presente a quem ama ou odeia. Ele serve aos dois propósitos, pois não tem meio termo, as pessoas ou amam ou odeiam. E ninguém dos dois lados soube até agora definir por quê. Nem os poucos resenhistas consagrados que o leram. O livro os confunde. Talvez meu livro seja caso de uma análise da crítica biológica da literatura -- os darwinistas literários -- uma corrente nova ainda incipiente mas que diz coisas relevantes. "Todo livro não passa de sedução sexual." A ver. Valeu, André.

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