18.2.11

Mario Benedetti

Memorándum


Uno llegar e incorporarse el día
Dos respirar para subir la cuesta
Tres no jugarse en una sola apuesta

Cuatro escapar de la melancolía
Cinco aprender la nueva geografía
Seis no quedarse nunca sin la siesta

Siete el futuro no será una fiesta
Y ocho no amilanarse todavía
Nueve vaya a saber quién es el fuerte

Diez no dejar que la paciencia ceda
Once cuidarse de la buena suerte
Doce guardar la última moneda


Trece no tutearse con la muerte
Catorce disfrutar mientras se pueda.

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16.2.11




As primas procuram sob a cama o camarim de lençóis.
Os primos pingam moedas nos cofrinhos.
Querem ver para crer e dividem uma poltrona.
Ao fundo risinhos de uma outra vida.
Uma menina traz a pipoca. Pouco falta agora.
A dois passos dali uma fila de baratas donairosas
cruza o tapete vermelho, as asas palpitando.
Os primos despem-nas com olhos arregalados.
Sedas, plumas, tiaras e pedrarias.
As meninas apagam a luz e deixam o quarto.
Os ninhos da casa suspiram.
As mulheres do seu tempo não são mais feitas de carne.


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9.2.11

Claudius Portugal




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Deus é bom
Deus é justo
Deus é correto
Há um Deus na serpente
Um Deus nas vacas
Um Deus nos insetos
Um Deus do vidro
Um Deus tecido
Um Deus no tosco
Há um Deus concreto
Deus esteja conosco
Deus nos guie
Deus nos abençoe
Deus nos proteja
Com Deus nada nos falta,
Viceja
Que Deus tenha piedade
Deus é dez
Deus é a verdade
Deus nos conduz Deus é luz
Só Deus é fiel
Eu amo meu marido



Claudius Portugal, em teu nome, P55 edições, 2010.

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