22.12.08



O nosso mundo é aquele pequenininho ali, meu bem.
Por que brigarmos?
A vida é curta, muito curta,
e já vivemos boa parte dela.
Morrer é tão simples,
diferente do que se lê nos livros.
Brindemos a 2009.
Ou você tem outra sugestão?

21.12.08



O André gosta d'eu.
Eu também gosto d'el.
Pô, Dré, não precisa elogiar,
eu ainda sou uma
completa idiota em formação.
bj

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Ernst Meister




Na beira do mar


Na beira do mar
os risos: pescaram
um peixe que fala.
Mas ele diz
o que todo mundo já sabe.




Ernst Meister, trad. MP.

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16.12.08


Querida mãe

Como chove. Espero a chuva passar para lhe comprar meus presentinhos de Natal. Não esquecerei das suas vacas, mamãe. Elas também são filhas do Altíssimo. Mas como o dinheiro está curto, meus regalos a todas não passarão de 2,99. Não esqueci da sua roçadeira, mas por enquanto acho que só poderei lhe dar um ancinho. Não vejo a hora de poder abraçá-la neste Natal. Ainda não entendo por que a senhora precisa morar tão longe dos seus filhos e netos. Nessa casa tão fria e solitária. A vovó, que Deus a tenha, deve achar que não cuidamos da senhora. Pena que não possa morar conosco, a senhora sabe que aqui é tão pequeno. Falando nisso, o Aliomar manda beijos, os meninos também. Na verdade o Norinho está febril há dias e acho que não passaremos o Natal com a senhora. É tão triste isso, nossa família desunida nesta data tão bonita. Eu mesma não me sinto muito bem. Afora isso, temos muita saudade e lhe desejamos um Feliz Natal. Da sua filha que te ama

Odete




Laura, minha filha, a roçadeira eu já comprei. Deixe o espírito da sua vó em paz que onde ela está já não acha mais nada. E não se preocupe comigo: eu odeio Natal. As vacas estão bem e desejam a todos um Feliz Natal.

Com amor da sua mãe


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13.12.08



Zélia, 1989-2008

Nunca aborreci ninguém nestes seis anos de Prosa Caótica postando coisas sobre meus bichos. Mas, pombas, este blog é meu e hoje foi o dia em que Zélia, a minha gata, escolheu para morrer. Morreu de velha, dormindo em sua caminha quietinha, apagando como uma vela, devagarzinho, em silêncio, na posição dos gatos. Enterrei-a no jardim de casa. Ela agora é meu amuleto da sorte, espírito de guarda da casa. A gata mais safada deste mundo, para quem a conhecia bem, como eu. Menina de rua, preto-e-branca como um filme antigo, nascida nos jardins do Passeio Público e resgatada no meio-fio por uma boba semi-embriagada que se encantou com seu cheirinho de patchuli quase vinte anos atrás. Como uma gata vagabunda com esta pinta abusada no nariz pode cheirar a patchuli? Mas essa era a Zélia, sempre cheirosa, que recebeu este nome por conta da Zélia Cardoso de Mello, não porque sua dona admirasse a ministra, longe disso, mas porque era o nome da hora, e cairia bem num gato, nos fazia rir. E todos riam. Zélia, que me salvava de baratas, camundongos e tantos bichos escrotos. Que pulava três metros para caçar uma lagartixa na parede, num loop inacreditável. Que pela manhã me avisava que era hora de trabalhar, e à noitinha, que era hora de parar de trabalhar. Que jogava futebol comigo com bolinhas de papel. Que esquentava minha barriga, amassando cacau, em meus dias de cólicas de mulher. Que tomava café-da-manhã comigo sentada na cadeira ao lado, esperando uns fatacos de bolacha. Que não gostava de leite, porque só gato de cinema perde tempo com leite. Que riscava fósforo para seu próprio reflexo no espelho. Que subia nas cortinas e ficava lá agarrada, se balançando feito uma macaca e olhando lá do alto para ver se tinha platéia. Que, sem a menor vergonha na cara, corria de rabo torto quando sabia que tinha feito merda. Que enfiava comigo a cara na geladeira para procurarmos algo de bom lá dentro. Que gostava das visitas, principalmente das que não gostavam de gatos. Que se escondia no alto da caixa d'água para fugir dos dias de vacina. Que apartava brigas de outros gatos brabos partindo pra cima deles e botando ordem na casa, que era dela. Que me farejava de longe, quando eu ainda estava botando a chave na fechadura da portaria do prédio das Laranjeiras. Que me acompanhou por todas as inúmeras casas em que morei depois disso. Que gostava de rock pesado, de fumaça de cigarro, de dormir nos meus livros e papéis. Que me devotava um amor incondicional mesmo que eu impusesse condições para amá-la. Essa era a Zélia, a que escapou da morte várias vezes, mas agora não deu. Gatos não são Nosferatus. Durma em paz, minha menina.

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10.12.08




Exercício para o novo ano


1) Tive uma ideia, foi um enjoo.

2) Matem a jiboia, mas o Méier fica.

3) Eu te perdoo, Bocaiuva.

4) O paranoico semirrígido tomava um extrasseco.

5) Biorritmo: Pode pôr, meu bem, e não para.

6) Recuso-me a fazer esta ultrassonografia antissemita.

7) O meu autorretrato já vem com antirrugas.

8) Ele apoia infraestruturas intraoculares neo-ortodoxas.

9) Caiu de paraquedas na antessala do micro-ondas.

10) Na Coreia, jogávamos os alcaloides pela claraboia.

11) Na plateia todos comemoravam o quinquênio da linguiça.

12) Estreia hoje "A Baiuca Subumana".



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6.12.08




Those were just to say


Não eram amoras, Bill
Me perdoe



(a William Carlos Williams)

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