28.1.11




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Exemplar do último livro impresso em papel, circa 2111.
Medidas: 0,9mm x 0,9mm. Bom estado de conservação.
Capa e lombada com sinais de desgaste nas bordas.
Manchas do tempo no corte.
Assinatura do antigo dono na folha de rosto.
Miolo em bom estado.
Anotações a caneta microscópica nas margens direitas.
Esparsas manchas de acidificação.

Favor não tocar.

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24.1.11

Há um castelo em Itaipava



E ele ainda está de pé. Desde 1915, quando saiu do projeto de Lúcio Costa para a realidade concreta. Itaipava também está de pé, erguendo-se aos poucos após a tragédia. Por viver basicamente do turismo, produção artesanal e agrícola, ela precisa do apoio dos seus visitantes. Suas pousadas, bares, restaurantes e shoppings estão funcionando normalmente, a vida continua e todos precisam trabalhar para reerguer suas vidas. Se você pensa em visitar Itaipava, não deixe de vir. Precisamos de sua força para ajudar os desabrigados e evitar o desemprego. Há um castelo em Itaipava, sólido como o coração da cidade. Abraços.

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21.1.11




A mala está pronta no quarto.
O presente não conjuga mais as paredes.
Há sempre uso para o que de tempos em tempos bate asas.
É como ser criança outra vez.
Amassado entre as meias de dormir,
coloquei-o no trem que levaria ao porto.



(texto: Maira; ilustração: De Niro, Sr., o original.)

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11.1.11

Alô Bahia Brasil



Da Bahia me chega o convite do poeta e amigo de longa data, Claudius Portugal. A saber que no dia 18 de janeiro, terça-feira, das 19 às 23h, na Ciranda (Rua Fonte do Boi n°131, Rio Vermelho), a editora P55 lançará COMPARSAS, uma nova série de álbuns de gravuras em off-set, com edição limitada, numerados e assinados pelos autores, reunindo imagens de Bel Borba, Sérgio Rabinovitz, Valéria Simões e texto de Claudius Portugal.

Para esta nova série, COMPARSAS, após ter lançado a coleção Cartas Bahianas, a P55 tem como objetivo editorial reunir imagens das artes visuais ao texto literário. A P55 inaugura a série COMPARSAS com três álbuns: “Em teu nome”, desenhos de Bel Borba; “Fluxo”, pinturas de Sérgio Rabinovitz, “Só danço samba”, fotografias de Valéria Simões, todos com textos de Claudius Portugal.


AMOR, AMAR

(bilhete de namorado)

não ser projeto
bastante ser
apenas desenho
não ser desenho
bastante ser
apenas traço
não ser traço
bastante ser
apenas risco


Claudius é baiano de Salvador, poeta, jornalista e editor, tendo em seu currículo as obras Carta à família, Em mãos, Olho de gato, Notas bandalhas, WXYZ, Negro azul, Duende, Águas e Texto táctil. É autor de livros sobre artes visuais: Outras cores – 27 artistas da Bahia, reportagens plásticas; Sérgio Rabinovitz, a poesia da cor; Pinturas recentes de Sante Scaldaferri; Murilo, a cor desta cidade; Juarez Paraiso, um mestre da arte na Bahia. Em teatro teve encenado: “Quincas Berro d’Água”, “Pelo telefone,” “Cara amiga Sarah H.”, “Não vamos falar nisso agora”, “Poesia é coisa de mulher”, “Noite na taverna”. Escreveu a radionovela “O caso da menina morta”. Sua poesia passeia pela música, com letras que já serviram de roteiro de cenas para Tieta do Agreste, de Cacá Diegues.

Para adquirir os COMPARSAS e conhecer outros trabalhos da arte e literatura baiana, visite o site da editora P55. E clique no convite para ver melhor.


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6.1.11

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Tudo o que pode ser visto de cima
é o que está por cima do que está
por cima do que está por cima
do que está por cima.
Às vezes ouve-se um lamento.




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3.1.11

Photobucket

Minha primeira máquina de escrever. Que não existe mais, ou então está em algum lugar que desconheço. Jogada num canto. Num lixão, talvez. Num brechó, melhor. Herança de minha irmã mais velha, depois dei para um amigo que precisava. O amigo morreu e levou a máquina para sempre. Ainda guardo alguns poemas que escrevi nela, com seus Os borrados, que eu limpava com palito de dentes. Os dias de trocar as fitas eram dias de trocar as fitas. Nada mais. Em geral eu datilografava sem a tampa interna, para ver melhor os tipos batendo no papel. Tentei recuperar este prazer e comprei há pouco tempo uma Sperry, da Remington. Não é a mesma coisa. Nunca será a mesma coisa. Aquelas letras redondinhas. A Remington está jogada num canto. Ao alcance dos meus olhos, porém. Para lembrar da outra. Hermes, my Baby.


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