30.3.07






quem se lembra? quem não conhece? "Vamos, Lobo!". os quadrinhos do Vigilante Rodoviário e o filme que passava na TV, anos 60. para ler uma história, veja aqui. passeie pelo site. tem também histórias do Anjo.

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23.3.07







onde só é preciso abrir a boca

todas essas coisas no peito, um mal-entendido. a dor, alívio do temperamento. um livro não tem movimentos bruscos. aliás, nem o seu. calma para descrever, boca para respirar, cheiro de mármore, perto, mais perto. a estibordo. o que sempre me foi omitido. são seus olhos, não nego. note bem. coisa de estilo. dizer como se diz qualquer coisa. dizer estilo. adjetivo do fundo da alma. está pensando que o fogo do inferno é efeito especial? o chá não me cai bem. quando vejo quatro pessoas, podem ser duas. o dia não me cai bem. o sol na janela da carruagem queima meus lábios. solavanca. quase humano mas nem tanto. apoia-te na lhama. parei na bodeguita para tomar uns goles. calor, emoções domésticas. um pouco de azuis não lhe faria mal. estes aqui são o meu coração. para comer de noite. como foder bem com o seu marido, ela escreveu sobre a mesa. não pediu opinião. só convidou. venha como estiver. não fui. tive medo porque ela começou a matar aos sete anos de idade. há certas coisas que um uísque não pode curar. não deves ler. não deves sair. não deves porvir. debaixo de um bonsai em gibraltar, traduzindo ana gorenko. ferida em combate. donde a terra se acaba e o mar começa. portugal. a boca do homem não se satisfaz com pouco. desde quem? baía de guanabara. túmulo dos fenícios. baía de guanabara. não é de hoje que a poesia não serve pra nada. as coisas querem sorvete. depois esquecem. ni-ca-rá-gua. água quente não é chá. ocha wo nigosu. essas saladeiras inglesas. esses balanços de jardim. esses trâmites da matéria. esses teus olhos muçulmanos, pelas cinco chagas do nosso senhor. tudo isso é tu. oitenta palmos de altura. a relatividade é um simples relojoeiro. é preciso ter presença de espírito. reservas. um leque na mão esquerda. na direita, a espada. too fast to get old. poetas clássicos gostam de proparoxítonas. testículos cíclicos incham num átimo. a mulher que toda são paulo conhece. moça de muita ficção. orgulho do papai. enquanto ele se barbeava. eu tinha tudo para ser qualquer coisa.
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22.3.07

a comédia da vida literária


Que subcultura será essa na qual a singularidade dá lugar à simpatia?



adalzirinha bittencourt, 1956.


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18.3.07

os bons tempos voltaram: vamos gozar outra vez




Está no ar o número 6 da revista eletrônica de cinema Zingu!. Imperdível. A Zingu! é cinema brasileiro, Boca do Lixo, com incursões em Hollywood. Uma revista sem patrocínio do MinC, davidcardosiana, onde se pode ler sobre Wilson Grey, Ozualdo Candeias, Howard Hawks, Ivan Cardoso (ótima entrevista aqui), John Huston, Conrado Sanchez, a pornochanchada e suas musas, as antimusas, onde nas vinhas da ira à meia-noite levarei sua alma. Nekromantik na foto. Não perca. Eu recomendo. Leia de cabo a rabo.


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16.3.07





Ninguém te diz que
fiques
mas eu digo

possíveis os teus olhos
são de verde

que seja a cor da água
do que sentes
infância e madressilva
tu comigo

Selado sobre a casa-desabrigo
ou cintilante racha na parede
aparte do que sabes
e que eu minto

te exponho só de rosas
não somente
o corpo que se canta e não pretende
por demais onde a terra não se estende
e de ti memória
em fio de zinco

Ninguém te diz que
partas
mas eu digo

Intransponíveis são
as pedras do que sinto

Atentamente estou
mas não contigo




-- "Jardim de Março", em Novas cartas portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, 1974.

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6.3.07




AKHMATOVA AKHMATOVA
HÁ UMA MINA ABANDONADA EM POTOSÍ

AKHMATOVA AKHMATOVA
AY CARAJO!
DIGA QUE SÍ



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3.3.07

Banana is my business

Conheci um poeta beat em Nagasaki pouco depois de Emilinha gravar a última cena de "Cala a boca, Etelvina". A cidade estava em reconstrução, voltando a amontoar casas, e qualquer corrente de ar era um risco. Eu evitava tossir. Bob me perguntava do Cassino da Urca. Queria ler seus poemas no Rio. Emilinha já havia trocado a Urca pelo Cassino Atlântico. Bob desconhecia muitas coisas, pude reparar com gosto depois de dois apliques de metadona. Era fã de Emilinha. Decepcionado com Carmen Miranda, sua ambição poética era ser anônimo. Esquecido. Me convidou para conhecer sua família em New Orleans, onde recitava em cafeterias baratas. Jazz poet por essência, dispensara o be-bop depois de ver Carmen no cinema. Chegou a escrever "Cocoa Morning" para o Bando da Lua, que não se interessou. Bob sofria. Parece que não gostava de ser americano. Odiava Ginsberg, que lhe roubara dois namorados com promessas de transformá-los em poetas. Sua última esperança era Emilinha. Eu os apresentei e dois anos depois, com problemas nas cordas vocais, a Favorita da Marinha gravou uma marchinha de carnaval com letra de Bob vertida para o português. Não me ofendi quando a assessora de Emilinha dispensou os meus serviços de tradução depois que Bob aprendeu a nossa língua. Bob comporia muitas canções para Emilinha. Sempre anônimo. Esquecido. Soube disso ontem, enquanto acompanhava o velório de Bob no São João Batista. Com um calor de 42 graus, só o rosto de Bob não suava. Blake saiu sem ser notado. Suas flores já haviam murchado.