1.7.22

Simplesmente Glauce eterna terra em transe

25.6.22

aborto

19.6.22

Paul Preciado na Jornada da Escola da Causa Freudiana [Mulheres em Psicanálise] - Paris - 2019

 


Legendas em português de 3:16 até 33:04, apenas na apresentação de Preciado,
por sinal, imperdível.  




15.6.22

A morte de indígenas e indigenistas - excelente entrevista

“Atuação miliciana conectada ao crime organizado madeireiro, ao narcotráfico e a homicídios cometidos contra os povos indígenas do Maranhão – Um breve dossiê”

1 poema de Stella do Patrocínio



Eu já fui operada várias vezes 

Fiz várias operações 

sou toda operada 

Operei o cérebro, principalmente 

Eu pensei que ia acusar 

Se eu tenho alguma coisa no cérebro 

Não, acusou que eu tenho cérebro 

Um aparelho que pensa bem pensado 

Que pensa positivo 

E que é ligado a outro que não pensa 

Que não é capaz de pensar nada e nem trabalhar 

Eles arrancaram o que está pensando 

E o que está sem pensar 

E foram examinar esse aparelho de pensar e não pensar 

Ligados um ao outro na minha cabeça, no meu cérebro 

Estudar fora da cabeça 

Funcionar em cima da mesa 

Eles estudando fora da minha cabeça 

Eu já estou nesse ponto de estudo, de categoria



17.5.22

14.5.22

Jorge Luis Borges

 

El suicida


No quedará en la noche una estrella.

No quedará la noche.

Moriré y conmigo la suma

del intolerable universo.

Borraré las pirámides, las medallas,

los continentes y las caras.

Borraré la acumulación del pasado.

Haré polvo la historia, polvo el polvo.

Estoy mirando el último poniente.

Oigo el último pájaro.

Lego la nada a nadie.



3.4.22

Lygia Fagundes Telles RIP

 


É preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher as rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas.




24.1.22

Tardes de Bolonha

15.1.22

Zombie

22.12.21

20.11.21

Anna Akhmatova




Vinte e um, fim de noite, segunda,

traços tênues na bruma em torpor.

Mais uma alma qualquer vagabunda

escreveu que no mundo há amor.



26.7.21

Katerina Gogou

O Meu Maior Medo



O meu maior medo 
é o de transformar-me em "uma poeta"... 
Ficar trancada no quarto olhando o mar e esquecer... 
Medo de que os pontos em minhas veias cicatrizem 
e que, em vez de ter uma vaga memória dos noticiários de TV, 
eu passe a rabiscar papéis e vender "meus pontos de vista"... 
Medo de que os que passaram por cima de nós possam me aceitar para poderem me usar. 
Medo de que meus gritos virem um murmúrio para fazer o meu povo dormir. 
Medo de aprender a usar métrica e ritmo e ficar presa dentro deles 
ansiando que meus versos se tornem canções populares. 
Medo de vir a comprar binóculos para ver de perto 
as ações de sabotagem das quais não estarei participando. 
Medo de cansar-me -- uma presa fácil para padres e acadêmicos -- 
e com isso transformar-me em uma mulherzinha covarde 
Eles têm seus métodos... 
Podem utilizar a rotina com que nos acostumamos, 
já nos transformaram em cães: 
nos deram a vergonha por não trabalhar... 
depois o orgulho por estarmos desempregados... 
É assim que é. Psiquiatras astutos e policiais deploráveis 
esperam por nós nas esquinas.
Marx... 
É outro medo 
Eu não o esqueço também...
Esses filhos da puta ... a culpa é toda deles... 
Eu não consigo -- merda -- nem terminar de escrever isso 
Talvez... hum?... talvez um outro dia... 

(tradução: Maira Parula)

(Katerina Gogou (1940-1993) foi uma poeta grega anarquista e figura representativa do radicalismo político e da cena cultural dos anos 1980 em Exarchia. Katerina nasceu em Atenas e os primeiros anos de sua vida foram marcados pela fome, a ocupação nazista, a resistência e a guerra civil. Participou de mais de 30 filmes gregos. Sua poesia de forte impacto está fincada na condição humana e na rebeldia revolucionária de conteúdo anarco-comunista. Katerina cometeu suicídio aos 53 anos com overdose de barbitúricos.