30.9.17
Frida Kahlo La Bruja - versão do Conjunto Jardín
Ay que bonito es volar A las 11 de la noche A las 11 de la noche Ay que bonito es volar Ay mama Subirse y dejarse caer en los tirantes de 1 coche en los tirantes de 1 coche y hasta quisiera llorar ay mama
Me agarra la bruja Me lleva a su casa Me vuelve maceta Y una calabaza Me agarra la bruja Me lleva al cuartel Me vuelve maceta Y me da de comer Y diga me diga Me diga me usted Cuantas creaturitas Se ha chupado usted Señora ninguna Ninguna no sé Ando en pretenciones De chuparle a usted A una bruja me encontré Por el aire iba volando Por el aire iba volando A una bruja me encontré Ay mama
Entonces le pregunté A quien andaba buscando Me dice quién es usted Soy cantador de huapango Ay mama Levantate Chucha Y levantate Joana Que viene la bruja Detrás de tu hermana Levantate Pepa Y levantate Adela Que viene la bruja Detrás de tu abuela Y diga me diga Me diga me usted Cuantas creaturitas Se ha chupado usted Señora ninguna Ninguna no sé Ando en pretenciones De chuparle a usted
Ahora si maldita bruja Ya te chupaste a mi hijo Ya te chupaste a mi hijo Ahora si maldita bruja Ay mama Ahora le vas a chupar A tu marido el ombligo A tu marido el ombligo Y hasta quisiera llorar Ay mama Cuando a tu marido Le encuentro dormiendo Le arrancó las piernas Y me voy corriendo Cuando a tu marido Le encuentro dormido Le arrancó las piernas Y me voy contigo
Y diga me diga Me diga me usted Cuantas creaturitas Se ha chupado usted Señora ninguna Ninguna no sé Ando en pretenciones De chuparle a usted
28.9.17
25.9.17
23.9.17
"Chuva" curta-metragem de Joris Ivens 1929
Regen (Chuva) é um poema-filme, um filme experimental da precipitação e queda de uma chuva em Amsterdã. Filme impressionista composto como uma sinfonia. Ivens levou dois anos para filmar diferentes chuvas em diferentes locações da cidade. A música é de Hanns Eisler, composta em 1941.
22.9.17
20.9.17
19.9.17
Glauber Rocha
A cruz na praça, segunda experiência cinematográfica de Glauber Rocha depois do curta-metragem O pátio (1959). Baseou-se no seu conto "A retreta na praça" publicado na antologia Panorama do conto baiano. No filme Glauber retira a dupla original homem e mulher do conto e substitui por dois homens. Sensibilizado pela grande violência contra os homossexuais na Bahia dos anos 1950, ele muda de foco para abordar um assunto que na época era politicamente pouco discutido. O filme mostra a perambulação dos dois homens pelo Cruzeiro de São Francisco, até que um deles, como na foto, agarra o membro do outro, o que leva a uma sequência de imagens fortes e reprimidas de anjos, santos e monstros barrocos da Igreja de Nosso Senhor e por fim à cena de castração em torno da cruz, o símbolo do catolicismo. A cruz na praça é considerado inacabado, e raro, quem não viu ficará no ar.
18.9.17
17.9.17
Carta #5 de José Luis Guerin para Jonas Mekas
Descrição:
Correspondencia(s) es un cofre de 5 DVDs del sello © Intermedio que reúne las misivas filmadas de diez directores esenciales del cine contemporáneo. La correspondencia fílmica es un nuevo y original formato de comunicación entre directores que, a pesar de encontrarse separados geográficamente, están unidos por la voluntad de compartir ideas y reflexiones sobre todo aquello que motiva su trabajo.
Esta idea surgió originalmente (pero no están incluidas en esta colección) con las diez cartas cinematográficas que intercambiaron el director de cine español Victor Erice y el cineasta iraní Abbas Kiarostami, se trataban de cartas redactadas en formato video-digital, y escritas en sí literalmente, tanto en caracteres españoles como persas y con pluma estilográfica.
Correspondencia(s) trae un un libro detallado para profundizar conceptualmente el total de 29 cartas filmadas, de Barcelona a Nueva York, de Girona a Nara, de Banyoles a Buenos Aires, de Madrid a Shaanxi, de Ciudad de México a Puxan y viceversa, entre los cineastas:
José Luis Guerin (Barcelona) – Jonas Mekas (Nueva York)
Albert Serra (Banyoles) – Lisandro Alonso (Buenos Aires)
Isaki Lacuesta (Girona) – Naomi Kawase (Nara, Japón)
Jaime Rosales (Madrid) – Wang Bing (Shaanxi, China)
Fernando Eimbcke (Ciudad de México) – So Yong Kim (Pusan/Nueva York).
16.9.17
Women of Ireland - Ceoltóirí
There's a woman in Erin who'd give me shelter and my fill of ale;
There's a woman in Ireland who'd prefer my strains to strings being played;
There's a woman in Erin and nothing would please her more
Than to see me burning or in a grave lying cold.
There's a woman in Erin who'd be mad with envy if I was kissed
By another on fair-day, they have strange ways, but I love them all;
There are women I'll always adore, battalions of women and more
And there's this sensuous beauty and she shackled to an ugly boar.
There's a woman who promised if I'd wander with her I'd find some gold
A woman in night dress with a loveliness worth more than the woman
Who vexed Ballymoyer and the plain of Tyrone;
And the only cure for my pain I'm sure is the ale-house down the road.
13.9.17
1 poema de Patricia González López
Mandem embora todos os paraguaios
que vêm aqui roubar nossos empregos
lotam os hospitais
e não pagam impostos!
Que voltem pro seu país
ou que fiquem no interior onde tem menos gente
e precisam de mulas.
Mandem embora todos,
menos minha faxineira,
vocês não imaginam como é boa!
Em todos esses anos
nunca me roubou,
e olha que muitas vezes
deixei dinheiro no criado-mudo
e meus anéis no banheiro
mas nunca dei falta de nada
e isso que mora numa favela....
É uma em um milhão!
Honesta,
Asseada...
Se veste mal, coitada,
mas como eu sou muito generosa
desapegada
sempre lhe dou alguma peça de roupa.
É muito boa
tão boa que não me pede nada
nem pra ser registrada,
É tão caro pagar os encargos sociais!
Tem a sorte de comer como um passarinho,
traz pão e mate de sua casa,
quando tem alguma festa é ela que serve,
e como eu gosto de ajudá-la
lhe dou as sobras do bolo para que leve a seus filhos
Você acredita que ela os deixa todo o dia sozinhos?
Uma vez bancou a esperta
e não trabalhou no Ano Novo,
tinha que ficar doente justo aí!
Tudo bem, uma vez em 27 anos
que falte num Ano Novo,
Não foi nada, até porque no Natal ela veio
Ah, mas na Semana Santa não falha!
Tão boazinha,
é uma dádiva que não responda
e que sempre fique até tarde.
Mas no seu aniversário
eu a deixo ir lá pelas nove,
assim chega em sua casa
antes da meia-noite
e pode comemorar com sua família.
(tradução de Paulo Ferraz)
que vêm aqui roubar nossos empregos
lotam os hospitais
e não pagam impostos!
Que voltem pro seu país
ou que fiquem no interior onde tem menos gente
e precisam de mulas.
Mandem embora todos,
menos minha faxineira,
vocês não imaginam como é boa!
Em todos esses anos
nunca me roubou,
e olha que muitas vezes
deixei dinheiro no criado-mudo
e meus anéis no banheiro
mas nunca dei falta de nada
e isso que mora numa favela....
É uma em um milhão!
Honesta,
Asseada...
Se veste mal, coitada,
mas como eu sou muito generosa
desapegada
sempre lhe dou alguma peça de roupa.
É muito boa
tão boa que não me pede nada
nem pra ser registrada,
É tão caro pagar os encargos sociais!
Tem a sorte de comer como um passarinho,
traz pão e mate de sua casa,
quando tem alguma festa é ela que serve,
e como eu gosto de ajudá-la
lhe dou as sobras do bolo para que leve a seus filhos
Você acredita que ela os deixa todo o dia sozinhos?
Uma vez bancou a esperta
e não trabalhou no Ano Novo,
tinha que ficar doente justo aí!
Tudo bem, uma vez em 27 anos
que falte num Ano Novo,
Não foi nada, até porque no Natal ela veio
Ah, mas na Semana Santa não falha!
Tão boazinha,
é uma dádiva que não responda
e que sempre fique até tarde.
Mas no seu aniversário
eu a deixo ir lá pelas nove,
assim chega em sua casa
antes da meia-noite
e pode comemorar com sua família.
(tradução de Paulo Ferraz)
10.9.17
Jornal Movimento
Jornal Movimento, edição de 1976, manchete "Geisel em um Mar de Lama". O jornal, ligado ao francês Le Monde, apontava mais de 2.000 casos de corrupção no período entre 1964 e 1976. Uma junta militar ficou responsável pelo recolhimento das publicações e a sede do jornal foi fechada por seis meses, com a acusação de suspeita de terrorismo. Esse é um dos poucos exemplares que sobraram dessa histórica edição.
9.9.17
5.9.17
3.9.17
2.9.17
1.9.17
30.8.17
6 poemas de Margarida Vale de Gato
Se sinto isto aqui chiar cá dentro
De qualquer forma sei como encontrar
quem alivie. Nem o problema está
em que não sejas tu. Antes será
que venham mas não tenha para lhes dar,
atribuir-lhes uso, não lugar:
esse amplo espaço que te abri, já
feito o trespasse, o isolei: aliás
de ti adopto o jeito de vedar,
e embora admita que também estalas,
há que emplastrar de novo a cal, o gesso,
e sem falta cobrir as decepções,
que cesse o eco, quando ainda me falas,
esticada como antes, tua, tesa.
Tudo estanque, agora, é raro o ar
um silvo só arranha entre os pulmões.
Coping
Ficar quieta é técnica que já
aplico com rigor, e no preciso
sítio em que pulsa paraliso
tudo, quem está morto livre está.
Creio que começou quando cedeu
o avô. Alguém disse: afinal
o coração não aguentou. Eu
pensei: mais vale declinar o abalo.
Mas também não cheguei nessa altura
até ao fim. Escangalhei-me na novena
aos degredados filhos de Eva.
Iniciei-me então nos barbitúricos
e hoje passo bem melhor. Às vezes
é um jogo, em que recorro ao coito
antes de apanhada, e se esgoto
essa via, dedico-me à mimese,
diluo-me com os objectos, tudo
me toca mas nada dá por mim, tão
imóvel que me ignora a dor, não
há como acordar um corpo mudo.
Por exemplo agora que não veio
o homem, podia ter-me ferido
ou saído a buscar outro, e perdido;
mas pratico com vantagem a apneia
e a domesticidade. É pena
que me esqueça tanta coisa; foi
sorte saber da lamela - eia, pois,
advogada nossa - dormir serena.
Ressabiadas
Talvez lá no fundo acredite
que os seres humanos são todos sensivelmente
os mesmos em toda a parte, mas então
necessariamente as mulheres são mais.
Costumes que frequentamos:
o arame da loiça, os panos dos pratos, os ganchos e as linhas
do estendal, a vinha-de-alhos, o fogão,
o alguidar, guardamos os restos, torcemos
os trapos, os nossos recados, os nossos sacos,
os nossos ovos.
Certamente que eles, em grande maioria,
escanhoam os queixos e gostam
de arejar, mas não médicos, polícias,
engraxadores, economistas
e os vários naipes da banda filarmónica
nós somos todas domésticas, mesmo
assim não nos entendemos, e
nem serve escrever isto
que o maniqueísmo em traços largos
resvala na aldrabice, e a poesia
vem dos anjos já se sabe
carecidos de sexo.
E aliás que me rala a mim,
levo a minha vida e tenho o amor
de que não desconfio
e se consolo o cio e a fome
decerto falo de cor,
nem é por isso que me doem os calos
mas por causa dos bicos
dos vossos saltos
no desnível dos soalhos, refinadas
galdérias que se tomam a sério,
pestanas certeiras e beiços
que brilham, línguas que estalam
e mamas que chispam
corada invoco a imagem mal tirada
da fêmea recortada ao macho que a conforma;
sei que desminto qualquer laço comunal
e seja como for ninguém pediu
o meu palpite, pelo que não me habilito
e me desquito, acinte,
mudo, era eu
quem estava mal.
Mulher ao mar
MAYDAY lanço, porque a guerra dura
e está vazio o vaso em que parti
e cede ao fundo onde a vaga fura,
suga a fissura, uma falta – não
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.
bn-acpc-e-e3-74a-1-113_0130_63v_t24-C-R0150
No rascunho que Fernando Pessoa usou
para a tradução do Corvo de Edgar Poe
há no fim versos talvez seus que rasurou.
para a tradução do Corvo de Edgar Poe
há no fim versos talvez seus que rasurou.
«Dic. de Rimas», em letra legível vem
por cima; depois, porém, o que não quis
que viessem a ler, nem ele a ter de escrever,
afigura-se tão honesto quanto sofrível.
Devo admitir que não pude coibir-me
(julgo eu que nenhum outro, ao descobrir
o bilhete ignorado de um morto)
a tentar ver se ele traduzia, se
aquilo era poesia ou um apelo
e a mim cabia, por mais
que inexacto, transcrevê-lo.
por cima; depois, porém, o que não quis
que viessem a ler, nem ele a ter de escrever,
afigura-se tão honesto quanto sofrível.
Devo admitir que não pude coibir-me
(julgo eu que nenhum outro, ao descobrir
o bilhete ignorado de um morto)
a tentar ver se ele traduzia, se
aquilo era poesia ou um apelo
e a mim cabia, por mais
que inexacto, transcrevê-lo.
Se julguei entender a certo passo
o verbo «treslêem», era chato
que ao primeiro sinal faltasse o traço;
olhando de novo, talvez achasse
«conteem» (atestando no passado
mais desafogo ortográfico)
o que era menos ousado
embora não desdissesse
aquilo que me comove
na p. 229
do Livro do Desassossego,
«Ler é sonhar pela mão de outrem.
Ler mal e por alto é libertarmo-nos
da mão que nos conduz.»
Isto sobretudo quando, como dizia
o galês que o Ivan Junqueira traduz,
«Grande é a mão que mantém
o seu domínio sobre um homem
por ele ter escrito um nome.»
(Neste ponto, nota de rodapé onde se lê:
Jerónimo Pizarro, em comunicação pessoal,
diz-me que o trecho não é do livro afinal.)
o verbo «treslêem», era chato
que ao primeiro sinal faltasse o traço;
olhando de novo, talvez achasse
«conteem» (atestando no passado
mais desafogo ortográfico)
o que era menos ousado
embora não desdissesse
aquilo que me comove
na p. 229
do Livro do Desassossego,
«Ler é sonhar pela mão de outrem.
Ler mal e por alto é libertarmo-nos
da mão que nos conduz.»
Isto sobretudo quando, como dizia
o galês que o Ivan Junqueira traduz,
«Grande é a mão que mantém
o seu domínio sobre um homem
por ele ter escrito um nome.»
(Neste ponto, nota de rodapé onde se lê:
Jerónimo Pizarro, em comunicação pessoal,
diz-me que o trecho não é do livro afinal.)
Devolvendo-me, por linhas tortas,
à reflexão do que fazer
com o papel em que um homem,
nem de propósito por muitos
considerado o maior génio
da língua portuguesa do século
vigésimo, depositou quem sabe
o seu mais pungente recado, o qual
riscou, mas não deixou por isso de guardar
numa resma arrumada que o culto nacional
não só numerou como hoje disponibiliza
digitalmente a quem quiser consultar.
à reflexão do que fazer
com o papel em que um homem,
nem de propósito por muitos
considerado o maior génio
da língua portuguesa do século
vigésimo, depositou quem sabe
o seu mais pungente recado, o qual
riscou, mas não deixou por isso de guardar
numa resma arrumada que o culto nacional
não só numerou como hoje disponibiliza
digitalmente a quem quiser consultar.
E eu –– a tergiversar –– isto não é poema
nem condiz com sentida homenagem:
Fernando, tu dizias, da brevidade da vida
e da dor e desgraça que «ha n’ella» (anela),
e aquilo que mais doía era a falta de coragem
de confiar os desmandos do teu ser,
«oculto o meu interior aos olhares humanos»
(embora aqui talvez haja desfocagem
e possa ser «critério» o que esteja
no lugar de «interior» – onde, mais se justifica,
no início dessa estrofe, «Sinto horror»);
e ainda declinavas, pela margem
«Pensamentos.. gestos... palavras... almas»,
e eu que devia vir aqui dar corpo
ao inarticulado da poesia falar-te
do que perdeste, com esse teu feitio,
e a interna rima traindo-te a descarga
de eterno contentor que não explode ––
nem condiz com sentida homenagem:
Fernando, tu dizias, da brevidade da vida
e da dor e desgraça que «ha n’ella» (anela),
e aquilo que mais doía era a falta de coragem
de confiar os desmandos do teu ser,
«oculto o meu interior aos olhares humanos»
(embora aqui talvez haja desfocagem
e possa ser «critério» o que esteja
no lugar de «interior» – onde, mais se justifica,
no início dessa estrofe, «Sinto horror»);
e ainda declinavas, pela margem
«Pensamentos.. gestos... palavras... almas»,
e eu que devia vir aqui dar corpo
ao inarticulado da poesia falar-te
do que perdeste, com esse teu feitio,
e a interna rima traindo-te a descarga
de eterno contentor que não explode ––
nem sei se a letargia tanto me sacode,
«além de que o não posso a alguém vazio».
«além de que o não posso a alguém vazio».
Assinar:
Postagens (Atom)





