17.9.17
16.9.17
Women of Ireland - Ceoltóirí
There's a woman in Erin who'd give me shelter and my fill of ale;
There's a woman in Ireland who'd prefer my strains to strings being played;
There's a woman in Erin and nothing would please her more
Than to see me burning or in a grave lying cold.
There's a woman in Erin who'd be mad with envy if I was kissed
By another on fair-day, they have strange ways, but I love them all;
There are women I'll always adore, battalions of women and more
And there's this sensuous beauty and she shackled to an ugly boar.
There's a woman who promised if I'd wander with her I'd find some gold
A woman in night dress with a loveliness worth more than the woman
Who vexed Ballymoyer and the plain of Tyrone;
And the only cure for my pain I'm sure is the ale-house down the road.
13.9.17
1 poema de Patricia González López
Mandem embora todos os paraguaios
que vêm aqui roubar nossos empregos
lotam os hospitais
e não pagam impostos!
Que voltem pro seu país
ou que fiquem no interior onde tem menos gente
e precisam de mulas.
Mandem embora todos,
menos minha faxineira,
vocês não imaginam como é boa!
Em todos esses anos
nunca me roubou,
e olha que muitas vezes
deixei dinheiro no criado-mudo
e meus anéis no banheiro
mas nunca dei falta de nada
e isso que mora numa favela....
É uma em um milhão!
Honesta,
Asseada...
Se veste mal, coitada,
mas como eu sou muito generosa
desapegada
sempre lhe dou alguma peça de roupa.
É muito boa
tão boa que não me pede nada
nem pra ser registrada,
É tão caro pagar os encargos sociais!
Tem a sorte de comer como um passarinho,
traz pão e mate de sua casa,
quando tem alguma festa é ela que serve,
e como eu gosto de ajudá-la
lhe dou as sobras do bolo para que leve a seus filhos
Você acredita que ela os deixa todo o dia sozinhos?
Uma vez bancou a esperta
e não trabalhou no Ano Novo,
tinha que ficar doente justo aí!
Tudo bem, uma vez em 27 anos
que falte num Ano Novo,
Não foi nada, até porque no Natal ela veio
Ah, mas na Semana Santa não falha!
Tão boazinha,
é uma dádiva que não responda
e que sempre fique até tarde.
Mas no seu aniversário
eu a deixo ir lá pelas nove,
assim chega em sua casa
antes da meia-noite
e pode comemorar com sua família.
(tradução de Paulo Ferraz)
que vêm aqui roubar nossos empregos
lotam os hospitais
e não pagam impostos!
Que voltem pro seu país
ou que fiquem no interior onde tem menos gente
e precisam de mulas.
Mandem embora todos,
menos minha faxineira,
vocês não imaginam como é boa!
Em todos esses anos
nunca me roubou,
e olha que muitas vezes
deixei dinheiro no criado-mudo
e meus anéis no banheiro
mas nunca dei falta de nada
e isso que mora numa favela....
É uma em um milhão!
Honesta,
Asseada...
Se veste mal, coitada,
mas como eu sou muito generosa
desapegada
sempre lhe dou alguma peça de roupa.
É muito boa
tão boa que não me pede nada
nem pra ser registrada,
É tão caro pagar os encargos sociais!
Tem a sorte de comer como um passarinho,
traz pão e mate de sua casa,
quando tem alguma festa é ela que serve,
e como eu gosto de ajudá-la
lhe dou as sobras do bolo para que leve a seus filhos
Você acredita que ela os deixa todo o dia sozinhos?
Uma vez bancou a esperta
e não trabalhou no Ano Novo,
tinha que ficar doente justo aí!
Tudo bem, uma vez em 27 anos
que falte num Ano Novo,
Não foi nada, até porque no Natal ela veio
Ah, mas na Semana Santa não falha!
Tão boazinha,
é uma dádiva que não responda
e que sempre fique até tarde.
Mas no seu aniversário
eu a deixo ir lá pelas nove,
assim chega em sua casa
antes da meia-noite
e pode comemorar com sua família.
(tradução de Paulo Ferraz)
10.9.17
Jornal Movimento
Jornal Movimento, edição de 1976, manchete "Geisel em um Mar de Lama". O jornal, ligado ao francês Le Monde, apontava mais de 2.000 casos de corrupção no período entre 1964 e 1976. Uma junta militar ficou responsável pelo recolhimento das publicações e a sede do jornal foi fechada por seis meses, com a acusação de suspeita de terrorismo. Esse é um dos poucos exemplares que sobraram dessa histórica edição.
9.9.17
5.9.17
3.9.17
2.9.17
1.9.17
30.8.17
6 poemas de Margarida Vale de Gato
Se sinto isto aqui chiar cá dentro
De qualquer forma sei como encontrar
quem alivie. Nem o problema está
em que não sejas tu. Antes será
que venham mas não tenha para lhes dar,
atribuir-lhes uso, não lugar:
esse amplo espaço que te abri, já
feito o trespasse, o isolei: aliás
de ti adopto o jeito de vedar,
e embora admita que também estalas,
há que emplastrar de novo a cal, o gesso,
e sem falta cobrir as decepções,
que cesse o eco, quando ainda me falas,
esticada como antes, tua, tesa.
Tudo estanque, agora, é raro o ar
um silvo só arranha entre os pulmões.
Coping
Ficar quieta é técnica que já
aplico com rigor, e no preciso
sítio em que pulsa paraliso
tudo, quem está morto livre está.
Creio que começou quando cedeu
o avô. Alguém disse: afinal
o coração não aguentou. Eu
pensei: mais vale declinar o abalo.
Mas também não cheguei nessa altura
até ao fim. Escangalhei-me na novena
aos degredados filhos de Eva.
Iniciei-me então nos barbitúricos
e hoje passo bem melhor. Às vezes
é um jogo, em que recorro ao coito
antes de apanhada, e se esgoto
essa via, dedico-me à mimese,
diluo-me com os objectos, tudo
me toca mas nada dá por mim, tão
imóvel que me ignora a dor, não
há como acordar um corpo mudo.
Por exemplo agora que não veio
o homem, podia ter-me ferido
ou saído a buscar outro, e perdido;
mas pratico com vantagem a apneia
e a domesticidade. É pena
que me esqueça tanta coisa; foi
sorte saber da lamela - eia, pois,
advogada nossa - dormir serena.
Ressabiadas
Talvez lá no fundo acredite
que os seres humanos são todos sensivelmente
os mesmos em toda a parte, mas então
necessariamente as mulheres são mais.
Costumes que frequentamos:
o arame da loiça, os panos dos pratos, os ganchos e as linhas
do estendal, a vinha-de-alhos, o fogão,
o alguidar, guardamos os restos, torcemos
os trapos, os nossos recados, os nossos sacos,
os nossos ovos.
Certamente que eles, em grande maioria,
escanhoam os queixos e gostam
de arejar, mas não médicos, polícias,
engraxadores, economistas
e os vários naipes da banda filarmónica
nós somos todas domésticas, mesmo
assim não nos entendemos, e
nem serve escrever isto
que o maniqueísmo em traços largos
resvala na aldrabice, e a poesia
vem dos anjos já se sabe
carecidos de sexo.
E aliás que me rala a mim,
levo a minha vida e tenho o amor
de que não desconfio
e se consolo o cio e a fome
decerto falo de cor,
nem é por isso que me doem os calos
mas por causa dos bicos
dos vossos saltos
no desnível dos soalhos, refinadas
galdérias que se tomam a sério,
pestanas certeiras e beiços
que brilham, línguas que estalam
e mamas que chispam
corada invoco a imagem mal tirada
da fêmea recortada ao macho que a conforma;
sei que desminto qualquer laço comunal
e seja como for ninguém pediu
o meu palpite, pelo que não me habilito
e me desquito, acinte,
mudo, era eu
quem estava mal.
Mulher ao mar
MAYDAY lanço, porque a guerra dura
e está vazio o vaso em que parti
e cede ao fundo onde a vaga fura,
suga a fissura, uma falta – não
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.
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No rascunho que Fernando Pessoa usou
para a tradução do Corvo de Edgar Poe
há no fim versos talvez seus que rasurou.
para a tradução do Corvo de Edgar Poe
há no fim versos talvez seus que rasurou.
«Dic. de Rimas», em letra legível vem
por cima; depois, porém, o que não quis
que viessem a ler, nem ele a ter de escrever,
afigura-se tão honesto quanto sofrível.
Devo admitir que não pude coibir-me
(julgo eu que nenhum outro, ao descobrir
o bilhete ignorado de um morto)
a tentar ver se ele traduzia, se
aquilo era poesia ou um apelo
e a mim cabia, por mais
que inexacto, transcrevê-lo.
por cima; depois, porém, o que não quis
que viessem a ler, nem ele a ter de escrever,
afigura-se tão honesto quanto sofrível.
Devo admitir que não pude coibir-me
(julgo eu que nenhum outro, ao descobrir
o bilhete ignorado de um morto)
a tentar ver se ele traduzia, se
aquilo era poesia ou um apelo
e a mim cabia, por mais
que inexacto, transcrevê-lo.
Se julguei entender a certo passo
o verbo «treslêem», era chato
que ao primeiro sinal faltasse o traço;
olhando de novo, talvez achasse
«conteem» (atestando no passado
mais desafogo ortográfico)
o que era menos ousado
embora não desdissesse
aquilo que me comove
na p. 229
do Livro do Desassossego,
«Ler é sonhar pela mão de outrem.
Ler mal e por alto é libertarmo-nos
da mão que nos conduz.»
Isto sobretudo quando, como dizia
o galês que o Ivan Junqueira traduz,
«Grande é a mão que mantém
o seu domínio sobre um homem
por ele ter escrito um nome.»
(Neste ponto, nota de rodapé onde se lê:
Jerónimo Pizarro, em comunicação pessoal,
diz-me que o trecho não é do livro afinal.)
o verbo «treslêem», era chato
que ao primeiro sinal faltasse o traço;
olhando de novo, talvez achasse
«conteem» (atestando no passado
mais desafogo ortográfico)
o que era menos ousado
embora não desdissesse
aquilo que me comove
na p. 229
do Livro do Desassossego,
«Ler é sonhar pela mão de outrem.
Ler mal e por alto é libertarmo-nos
da mão que nos conduz.»
Isto sobretudo quando, como dizia
o galês que o Ivan Junqueira traduz,
«Grande é a mão que mantém
o seu domínio sobre um homem
por ele ter escrito um nome.»
(Neste ponto, nota de rodapé onde se lê:
Jerónimo Pizarro, em comunicação pessoal,
diz-me que o trecho não é do livro afinal.)
Devolvendo-me, por linhas tortas,
à reflexão do que fazer
com o papel em que um homem,
nem de propósito por muitos
considerado o maior génio
da língua portuguesa do século
vigésimo, depositou quem sabe
o seu mais pungente recado, o qual
riscou, mas não deixou por isso de guardar
numa resma arrumada que o culto nacional
não só numerou como hoje disponibiliza
digitalmente a quem quiser consultar.
à reflexão do que fazer
com o papel em que um homem,
nem de propósito por muitos
considerado o maior génio
da língua portuguesa do século
vigésimo, depositou quem sabe
o seu mais pungente recado, o qual
riscou, mas não deixou por isso de guardar
numa resma arrumada que o culto nacional
não só numerou como hoje disponibiliza
digitalmente a quem quiser consultar.
E eu –– a tergiversar –– isto não é poema
nem condiz com sentida homenagem:
Fernando, tu dizias, da brevidade da vida
e da dor e desgraça que «ha n’ella» (anela),
e aquilo que mais doía era a falta de coragem
de confiar os desmandos do teu ser,
«oculto o meu interior aos olhares humanos»
(embora aqui talvez haja desfocagem
e possa ser «critério» o que esteja
no lugar de «interior» – onde, mais se justifica,
no início dessa estrofe, «Sinto horror»);
e ainda declinavas, pela margem
«Pensamentos.. gestos... palavras... almas»,
e eu que devia vir aqui dar corpo
ao inarticulado da poesia falar-te
do que perdeste, com esse teu feitio,
e a interna rima traindo-te a descarga
de eterno contentor que não explode ––
nem condiz com sentida homenagem:
Fernando, tu dizias, da brevidade da vida
e da dor e desgraça que «ha n’ella» (anela),
e aquilo que mais doía era a falta de coragem
de confiar os desmandos do teu ser,
«oculto o meu interior aos olhares humanos»
(embora aqui talvez haja desfocagem
e possa ser «critério» o que esteja
no lugar de «interior» – onde, mais se justifica,
no início dessa estrofe, «Sinto horror»);
e ainda declinavas, pela margem
«Pensamentos.. gestos... palavras... almas»,
e eu que devia vir aqui dar corpo
ao inarticulado da poesia falar-te
do que perdeste, com esse teu feitio,
e a interna rima traindo-te a descarga
de eterno contentor que não explode ––
nem sei se a letargia tanto me sacode,
«além de que o não posso a alguém vazio».
«além de que o não posso a alguém vazio».
28.8.17
27.8.17
25.8.17
Violeta Parra - o outro lado de Gracias a la Vida
Maldigo del alto cielo
la estrella con su reflejo,
maldigo los azulejos
destellos del arroyuelo,
maldigo del bajo suelo
la piedra con su contorno,
maldigo el fuego del horno
porque mi alma está de luto,
maldigo los estatutos del tiempo
con sus bochornos,
cuánto será mi dolor.
Maldigo la cordillera
de los Andes y de La Costa,
maldigo, señor, la angosta
y larga faja de tierra,
también la paz y la guerra,
lo franco y lo veleidoso,
maldigo lo perfumoso
porque mi anhelo está muerto,
maldigo todo lo cierto
y lo falso con lo dudoso,
cuánto será mi dolor.
Maldigo la primavera
con sus jardines en flor
y del otoño el color
yo lo maldigo de veras;
y a la nube pasajera
la maldigo tanto y tanto
porque padezco un quebranto.
Maldigo el invierno entero
con el verano sincero,
maldigo profano y santo,
grande será mi dolor.
Maldigo a la solitaria
figura de la bandera,
maldigo cualquier emblema,
la Venus y la Araucaria,
el trino de la canaria,
el cosmos con sus planetas,
la tierra y todas sus grietas
porque me aqueja un pesar,
maldigo del ancho mar
sus puertos y sus caletas,
grande será mi dolor.
Maldigo luna y paisaje,
los pueblos y los desiertos,
maldigo muerto por muerto
y el vivo de rey a paje,
las aves con sus plumajes
las maldigo a sangre fría,
las aulas, las sacristías
porque me aflige un dolor,
maldigo el vocablo "amor"
con toda su brujería,
cuánto será mi dolor.
Maldigo por fin lo blanco,
lo negro con lo amarillo,
obispos y monaguillos,
ministros y predicandos
yo los maldigo cantando;
lo libre y lo prisionero,
lo dulce y lo pendenciero
yo pongo mi maldición
en griego y en español
por culpa de un traicionero,
cuánto será mi dolor.
Vashti Bunyan Don't Believe What They Say
You say that you'll always love me
That you'll never leave me blue
Don't you know that that's all fallacy
Don't you know it's not true
You may want the love they talk about
But it isn't like they say
You will find that come tomorrow
You won't feel this way
When you say that you're in love with me
Do you really know what you mean
Or are you saying it because you've heard of it
Or because of something you've seen
Oh don't believe that love brings happiness
Gone tomorrow here today
Love involves so much unhappiness
Don't believe what they say
24.8.17
Pat Parker
Don't let the fascist speak
"Don't let the fascist speak."
"We want to hear what they have to say."
"Keep them out of the classroom."
"Everybody is entitled to freedom of speech."
I am a child of America
a step child
raised in the back room
yet taught
taught how to act
in her front room
my mind jumps
the voices of students
screaming
insults threats
"Let the Nazis speak."
"Let the Nazis speak."
Everyone is entitled
to speak
I sit a greasy-legged
Black child
in a Black school
in the Black part of town
look to a Black teacher
the bill of rights
guarantees
us all the right
my mind
remembers chants
article I article I
& my innards churn
they remember
the Black teacher
in the Black school
in the Black part
of the very white town
who stopped us
when we attacked
the puppet principal
the white Board
of mis-Education
cast-off books
illustrated with
cartoons and
words of wisdom
written by white
children in the
other part of town
missing pages
caricatures
of hanging niggers -
the bill of rights
was written to
protect
us
my mind remembers
& my innards churn
conjure images
police
break up
illegal demonstrations
illegal assemblies
conjure image
of a Black Panther
"if tricky Dick
tries to stop us
we'll stop him."
conjure image
of that same Black man
going to jail
for threatening
the life of
THE PRESIDENT
every citizen
is entitled to
freedom of speech
my mind remembers
& my innards churn
conjure images
of jews in camps -
of homosexuals in camps -
of socialists in camps -
"Let the Nazis speak."
"Let the Nazis speak."
faces in a college
classroom
"You're being fascist too."
"We want to hear what
they have to say."
faces in
a college classroom
young white faces
speak let them speak
speak let them speak
Blacks jews some whites
seize the bull horn
"We don't want to hear
your socialist rhetoric"
socialist rhetoric
survival
rhetoric
the supreme court
says it is illegal
to scream fire
in a crowded theatre
to scream fire
in a crowded theatre
cause people to panic
to run to hurt each other
my mind remembers
& now i know
what my innards
say
illegal to cause
people
to panic
to run
to hurt
there is
no contradiction
what the Nazis say
will cause
people
to hurt
ME.
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