2.7.17
Sylvia Telles - Demais
"Demais" é uma música de grande complexidade harmônica. Composta por
Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, tinha endereço certo: Maysa. Mas
Sylvinha gravou primeiro e casou com Aloysio. O vídeo é uma cena
do filme de 1962, Assassinato em Copacabana. A coreografia no
meio da canção faz rir. A interpretação de Sylvia é soberba.
Como seriam as de Maysa logo depois,
e Angela Ro Ro mais tarde.
1.7.17
Vice
Brasil é o segundo país com mais confiança na mídia
Brasil é o segundo país mais estressado do mundo
Brasil é o segundo país com mais fraudes em cartões
Brasil é o segundo país mais religioso do mundo
25.6.17
24.6.17
23.6.17
22.6.17
21.6.17
18.6.17
8.6.17
Adam Zagajewski
Habla más suave
Habla más suave: eres mayor que aquel
que fuiste tanto tiempo; eres mayor
que tú mismo y sigues sin saber
qué es la ausencia, el oro, la poesía.
que fuiste tanto tiempo; eres mayor
que tú mismo y sigues sin saber
qué es la ausencia, el oro, la poesía.
El agua sucia anegó la calle; una tormenta breve
sacudió esta ciudad plana, adormecida.
Cada tormenta es un adiós, cientos de fotógrafos
parecen sobrevolarnos, inmortalizar con flash
segundos de miedo y pánico.
sacudió esta ciudad plana, adormecida.
Cada tormenta es un adiós, cientos de fotógrafos
parecen sobrevolarnos, inmortalizar con flash
segundos de miedo y pánico.
Sabes qué es el duelo, la desesperación
violenta que ahoga el ritmo cardiaco y el futuro.
Entre extraños llorabas, en un moderno almacén
donde el dinero, ágil, sin cesar, circulaba.
violenta que ahoga el ritmo cardiaco y el futuro.
Entre extraños llorabas, en un moderno almacén
donde el dinero, ágil, sin cesar, circulaba.
Has visto Venecia, y Siena, y en los lienzos, en la calle,
jovencísimas, tristes Madonnas que ansiaban ser
muchachas normales y bailar en carnaval.
jovencísimas, tristes Madonnas que ansiaban ser
muchachas normales y bailar en carnaval.
Has visto incluso pequeñas urbes, nada bonitas,
gente vieja extenuada por el sufrimiento y el tiempo.
Ojos de santos morenos brillando en iconos
medievales, ojos ardientes de bestias salvajes.
gente vieja extenuada por el sufrimiento y el tiempo.
Ojos de santos morenos brillando en iconos
medievales, ojos ardientes de bestias salvajes.
Entre los dedos cogías guijarros de la playa La Galere,
y de pronto sentías por ellos una inmensa ternura,
por ellos y por el pino frágil, por todos los que allí
estuvieron contigo y por el mar,
que aunque potente, es tan solitario.
y de pronto sentías por ellos una inmensa ternura,
por ellos y por el pino frágil, por todos los que allí
estuvieron contigo y por el mar,
que aunque potente, es tan solitario.
Una ternura inmensa, como si fuésemos huérfanos
de la misma casa, para siempre apartados los unos de los otros,
condenados a breves momentos de visitas
en las frías cárceles de la actualidad.
de la misma casa, para siempre apartados los unos de los otros,
condenados a breves momentos de visitas
en las frías cárceles de la actualidad.
Habla más suave: ya no eres joven,
el éxtasis ha de pactar con semanas de ayuno,
has de elegir y abandonar, dar largas
el éxtasis ha de pactar con semanas de ayuno,
has de elegir y abandonar, dar largas
y hablar extensamente con embajadores de secos países
y labios cuarteados, has de esperar,
escribir cartas, leer libros de quinientas páginas.
Habla más suave. No abandones la poesía.
y labios cuarteados, has de esperar,
escribir cartas, leer libros de quinientas páginas.
Habla más suave. No abandones la poesía.
7.6.17
EUA & Brasil - a ditadura militar e suas propinas
4.6.17
3.6.17
1.6.17
31.5.17
28.5.17
25.5.17
23.5.17
21.5.17
18.5.17
17.5.17
16.5.17
14.5.17
1 poema de Victor Casaus
Agora Aprendo de Novo
Como o assassino que regressa sempre ao local do crime
ou o tigre ao lugar
de sua penúltima fome
já vens aqui agora
para aprender de novo
enquanto comprovas
que ainda está aberto nessa estranha
(mas também fria) neve do lençol
o molde apagado de onde saiu
(há quantas horas?)
(há quantos séculos?)
aquela mulher que se alçava junto a ti
buscando o ciclo com uma insólita vocação de palma
e que agora deve andar (oh palma sozinha) pelo mundo
sobre uma neve que já não é este lençol
numa paisagem donde onde não há
estou quase certo outra palma como ela
ou o tigre ao lugar
de sua penúltima fome
já vens aqui agora
para aprender de novo
enquanto comprovas
que ainda está aberto nessa estranha
(mas também fria) neve do lençol
o molde apagado de onde saiu
(há quantas horas?)
(há quantos séculos?)
aquela mulher que se alçava junto a ti
buscando o ciclo com uma insólita vocação de palma
e que agora deve andar (oh palma sozinha) pelo mundo
sobre uma neve que já não é este lençol
numa paisagem donde onde não há
estou quase certo outra palma como ela
Já se foi
e já vens
a ver com as próprias mãos
o tamanho interminável e amoroso desta desordem
a escutar com tuas unhas
o ruído que ainda faz seu pêlo contra a janela
a sentir nas vozes que ainda preenchem este quarto
aquele cheiro que hoje te perseguiu
tantas horas pelo mundo
a descobrir dentro de sua luminosa penumbra
estes olhos que te miram ainda
daqui mesmo
e que te ensinaram outra vez
que o assassino regressa sempre ao lugar do crime
e o tigre ao local de sua penúltima fome
e já vens
a ver com as próprias mãos
o tamanho interminável e amoroso desta desordem
a escutar com tuas unhas
o ruído que ainda faz seu pêlo contra a janela
a sentir nas vozes que ainda preenchem este quarto
aquele cheiro que hoje te perseguiu
tantas horas pelo mundo
a descobrir dentro de sua luminosa penumbra
estes olhos que te miram ainda
daqui mesmo
e que te ensinaram outra vez
que o assassino regressa sempre ao lugar do crime
e o tigre ao local de sua penúltima fome
Já vistes como estão as coisas
a almofada o telefone a luz ainda está
acesa
a almofada o telefone a luz ainda está
acesa
Vistes que a vida continua provocando
cataclismos e amores e fábulas
tão certas
como esse molde morno onde repouso
minha cabeça de assassino amoroso
e sinto nascer o sonho de minha próxima fome
cataclismos e amores e fábulas
tão certas
como esse molde morno onde repouso
minha cabeça de assassino amoroso
e sinto nascer o sonho de minha próxima fome
12.5.17
Desgraça Infinita
Sobre a capa da Veja
“Pão ou pães é questão de opiniães”, escreveu João Guimarães Rosa. Todo o ambiente político é, em larga escala, questão de opiniães, mas desumanidade não é questão de opiniães. Não reconhecer a humanidade no outro é apenas a maior violência que se pode cometer contra a dignidade de uma outra pessoa.
Ser de direita ou de esquerda já não importa mais, como acontece sempre que passamos a viver dentro de um estado de exceção.
O que estamos aprendendo é que há estados de exceção que podem se amparar em vestígios de legalidade e podem ser mantidos pelas instituições, que conferem a ele os rastros de legitimidade necessários para que vivamos em dúvida: será que isso aqui é mesmo um estado de exceção ou estão exagerando?
Quando não se pode convencer do contrário, fabricar a dúvida é o que basta.
Em um mundo minimamente humanizado, a despeito das opiniães, uma capa de revista como essa que chega amanhã às bancas com o logotipo da Veja (que eu me recuso a reproduzir) jamais seria permitida.
Há fronteiras que não deveríamos cruzar, e uma delas diz respeito à dor de perder alguém que se ame, porque a dor é o que é comum a todos nós e o que nos humaniza.
Todos os bandidos, por piores que sejam, amam alguém. E são por alguém amados. Você não brinca, não debocha, não ridiculariza, não ofende a maior força do universo – o amor.
Quando o filho de Geraldo Alckmin, político que eu considero um monstro, morreu em um acidente de helicóptero, não havia ali espaço para ofensas, deboches, críticas. A dor de Alckmin era a dor de todos nós. Como pai, como homem, como ser humano.
Não importa mais o que se pensa a respeito de Lula. O que estamos fazendo com ele é desumano. Um julgamento ilegítimo, conduzido por um homem que não respeita as leis, e amplificado em imoralidade pelo noticiário.
E agora a capa de uma revista de circulação nacional estampa a imagem de uma mulher que já não vive mais, induzindo o consumidor de noticiário, esse pobre ser humano tratado como gado, a acreditar que, diante de Moro, Lula jogou a culpa em dona Marisa.
Lula não disse no depoimento nada além do que dizia quando dona Marisa era viva. E ainda pediu que o juiz parasse de citá-la porque ela não estava mais aqui para se defender.
Mas para saber disso é preciso assistir 5 horas de depoimento, e isso dá um puta trabalho. Mais simples é acreditar no que o noticiário vai me contar a respeito do depoimento, assim não tenho que pensar por conta própria e posso apenas repetir o que alguém viu no meu lugar.
Mas nem os fatos importam mais. Brincar com a dor da saudade é cruzar ao mesmo tempo os limites do bom gosto, da elegância, da humanidade, da decência e da moral.
Que tempos tristes.
Termino com um trecho de um dos textos mais lindos já escritos por um ser humano, de David Foster Wallace:
“O mundo jamais desencorajará você de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.
“Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.”
11.5.17
10.5.17
9.5.17
Dentro de mim ninguém entra - José Castello
"A história é uma sutil narrativa ficcional de José Castello, que convida o jovem leitor de todas as idades a se enveredar no surpreendente universo criado por Arthur Bispo do Rosário, figura que escapa às nossas tentativas de definição", diz a editora neste livro de Castello lançado no final do ano passado. Uma produção impecável, da melhor qualidade, com um texto delicado e poético para o público infanto-juvenil, uma área em que o autor resolveu se arriscar e gostou da experiência. "Só que são os adultos que mais o leem", confessou-me ele por telefone. Na grande imprensa passou meio que em branco, por que não estranho? Está na minha cabeceira para degustá-lo. O volume conclui com um ensaio biográfico sobre o artista Arthur Bispo do Rosário e é todo ilustrado com fotografias de suas obras que encontram-se preservadas no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro.
O início:
"Estou preso em uma cama de hospital. Os médicos me ligaram a uns fios, enfiaram umas agulhas em meu braço e eu já não posso me levantar. Dizem que fazem isso para cuidar de mim, mesmo assim me sinto um prisioneiro. Não sei se são os médicos que me prendem, ou se é a minha doença -- que, por sorte, eles garantem, não é grave. Mas alguma coisa me impede de voltar para casa."
7.5.17
4.5.17
3.5.17
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