2.8.17

Venezuela




Pelo que se noticia e o que se pode acompanhar daqui, mais uma vez as elites oligarcas venezuelanas, lideradas por ex-mandatários como Capriles, Allup, Lopez, tentam dar um golpe de Estado no país. Há 18 anos que eles não conseguem retomar o poder na Venezuela. De lá (1999) para cá aconteceram 14 eleições regionais e nacionais. Em todas elas o governo Chávez-Maduro foi referendado e mantido no poder pela decisão do voto popular. Não conseguiram através de eleições e resolveram boicotar o país. Tentaram nomear unilateralmente um Tribunal Superior de Justiça nacional, bloquearam e continuam bloqueando o abastecimento de mercados e postos de venda de alimentos. Recrutaram ex-mandatários conservadores de direita da América Latina como Fox (México), Pastrana (Colômbia) e Quiroga (Bolívia) para "inspecionar" a situação venezuelana. Todos retornaram aos seus países "denunciando" a instauração, em curso, de uma ditadura bolivariana na região. Todos estes alinhados ao discurso que vem de Washington. Trump impôs novas sanções à potência petrolífera. Aliás o interesse yankee na região é antigo. A Venezuela é dona da 4ª maior reserva de petróleo do mundo e a nação membro da OPEP mais próxima geograficamente dos EUA. A Constituinte convocada por Maduro contou com a participação popular voluntária de mais de 8 milhões de pessoas que votaram sim para o aperfeiçoamento da Constituição promulgada em 1999 com Chávez. Que prevê dentre vários pontos a ampliação dos direitos sociais já conquistados no país, além de uma política econômica específica para a questão do petróleo, o que lá chamam de post-petróleo, que liberta o país da política cambial determinada pelos EUA para a cotação do barril do petróleo no mercado mundial. Esse ponto específico incomoda bastante a potência norte-americana. Já outro ponto que causa desespero nas elites locais: Com a nova Constituição a ser elaborada a partir de agora, os representantes do povo passam a ser eleitos por setores, facilitando o acesso de lideranças comunitárias, de pequenos povoados, lideranças indígenas, negros, mulheres, campesinos, aos espaços de poder institucional. Ao invés de grandes proprietários e empresários locais como é hoje. Claro que há problemas no país, que o governo não é perfeito, como não é em lugar algum na verdade, sobretudo no capitalismo, no entanto o Estado venezuelano tem convocado o povo para participar da vida política e da construção do futuro do país livre do jugo imperialista. Uma coisa é certa. Lá eles não querem a direita de novo no poder. O grosso da população, digo, porque sabem as consequências do retrocesso. Nós estamos sentindo na pele o que acontece depois de um golpe levado a cabo. Recomendo fortemente a leitura de artigos disponibilizados pela TELESURTV dentre outros portais de informação desvinculados das grandes corporações midiáticas globais como CNN, EL PAÍS, BBC, FOLHA...


Gabriel Quintilhano