1.11.13

Eder Alex

há um medo que antecede a calçada
que não vem da proximidade do impacto
nem da fragilidade dos ossos
é um medo que se senta terrivelmente tranquilo
e fuma um cigarro na sacada do prédio


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a chuva já passou
mas empoçou

virou caco de espelho
d'água

o carro passa urgente
então um pedaço de céu
molha a roupa da gente


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a linha é tênue
e trêmula
a travessia é triste
e trôpega

como contornar o centro da cidade

tem dia de semana que dá
batida com vítima
tem dia de domingo que dá
pra deitar no chão

se você parar para reparar
os prédios aumentam e começam a andar
na velocidade das nuvens

se você parar para reparar
não é o seu carro que está indo pra trás
e o carro ao lado que está indo pra frente

se você parar para reparar o erro
ele para, mas não vira acerto

é a rua que te leva pra onde
é a estrada que se segue até bater no sol
é a direção do porquê


a linha reta
o ponto incerto
o alvo inócuo

o futuro é um vulto num invólucro

e por outro lado
seja qual for
o outro lado
nós vamos

pois asfalto é quente,
insuportavelmente quente




(mais do autor aqui)