leather
todas as bruxarias que você construiu
despencam sobre o meu jeans culpado de tudo,
desabotoei a camisa & me pus sobre travessas de inox
tão verticais quanto o beijo que você morde & assopra,
aí sou a pessoa ferida mais legal do mundo,
nego a violência & as páginas de ménage à trois na internet,
mantenho o carão diante dos arbustos que você cuspiu,
o girassol de uma mão que me afaga as lágrimas,
rasgação de amor que não me protege das rugas,
os centímetros que fariam de mim
a pessoa mais sexualizada do universo.
peço um cigarro e você não tem,
eu percorro a existência da noite & me tranco em banheiros,
do bolso possuo as armadilhas lindinhas
que se resumem em uma, duas gramas da lucidez
pré-fabricada pouco depois dos dinossauros,
você também não me esquece,
critica o fato dessa intolerância esquizoafetiva
ser publicamente devorada nos livros que você não escreveu,
por isso morro de vontade.
poema para cálices & pessoas ausentes
não há espaço
nem alienígenas circunspectos
viajantes são nossos segredos nas estantes
performance madrugada de mil dentes
o amor que platina os bosques
regiões de fuga rodopiam meu percurso
& omisso adorar
raízes flagelos distâncias no espaldar do mundo
relíquias de auroras boreais retidas no espaço
pois esta fumaça cercada por vidros cálices vórtices
comemora descalça os ventos daí
os 365 beijos que eu jamais quis
as dolorosas formas do poder floral & dos carmas
exatidão em páginas & eles desenham fatalidades
tão começo tão tarde tão trabalhosa é a noite.
saturday
em html eu destruí o mundo de cabo a rabo
(sempre anônimo)
mas com a foto de virginia woolf
na mão direita.
é que traduzi um fantasma em mim:
seus olhos
sua crosta terrestre
o monstro na jaula que nunca vê
o dia.
outra vez quero passar despercebido
mergulhar no verão
balançar o corpo de vez em quando
e nunca mais
pronunciar aquele chão de dores.
aí talvez
num corpo de elefante único no planeta
eu esqueça você indo embora
numa despedida que não tem cara
de despedida.
Mais de Antônio LaCarne em seu blog.