2.1.12

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 Máquina da noite 


 Partiu o comprimido ao meio e que diferença faz. Como se ouvisse uma sonda de piano. Até que pareço uma mulher pelo espelho da cômoda. Faltava um pedaço mas por dentro estava exatamente igual. Se começar a convergir, precisará partir outro ao meio. Há uma coleção de metades na cartela. Não sabe se medicar sem cortar. Agora que todos saíram, podia esperar o sono. Ler um livro sonolenta para esquecê-lo mais depressa e à sensação de que restavam muito poucas palavras no mundo. Lá fora um cão escolhe um dos seus latidos para outro cão. Ela não entende o chamado. Naquela noite não havia preenchido os papéis necessários. Os convidados eram figuras da cintura para cima na grande mesa de jantar. Por fim veio o café e cada um deles tomou meia xícara encobrindo o rosto de porcelana e já pensando nas despedidas, em como seria maçante manobrar outra vez os carros debaixo de chuva para tirá-los daquela encosta íngreme. No ano que vem poderiam pensar em outra pessoa. Inteira. A casa tem vista para as montanhas, teve a impressão de ter dito isto ao telefone. E comprado caixas de comprimidos e algumas Dom Pérignon porque ela merecia mais do que Dom Pérignon. Bastou dar corda no relógio mecânico e todos começaram a traduzir os próprios pensamentos na língua local. Lembra daquela vez? À noite, céu e terra parecem uma coisa só. Eu sempre evito perguntar o nome de um estranho, se posso pagar alguém para fazê-lo. Na última rodada, minha querida, teu inimigo jamais usará bolas de veludo. Tem muito mosquito? O problema é que não há fiscalização dos contratos públicos. Ela pensando se as uvas engarrafadas estariam afinal livres da vida, sem precisar resistir mais à oxidação. Aqui estão. O sabor da chardonnay, o sabor da pinot noir. Fácil identificar se ficasse com a boca calada, se se imaginasse amanhã desentupindo o chuveiro para lavar seus fios de cabelo das irmãs Brontë. Há naturalmente muitos outros casos.

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