22.11.10

As mulheres americanas

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As mulheres americanas são brilhantes, inteligentes, assombrosamente cosmopolitas. Seu patriotismo se resume em admirar o Niágara e ter saudade do trem elevado. E diferentemente dos homens, não nos oferecem a lata com Bunkershill.

Adquirem seus vestidos em Paris e suas maneiras em Picadilly, e exibem uns e outros de modo encantador. Possuem um singular atrevimento, uma presunção deliciosa e uma independência espontânea.

Fazem questão de ser elogiadas e conseguiram quase tornar eloquente o inglês. Sentem fervorosa admiração pela nossa aristocracia, adoram os títulos e são uma contradição perpétua aos princípios republicanos.

São hábeis na arte de divertir os homens. São-no por natureza e educação. Sabem realmente contar uma história sem esquecer o traço mordaz, perfeição extraordinariamente rara nas mulheres de outras nações.

É verdade que carecem de tranquilidade e que o tom de suas vozes é algo brusco e estridente, quando desembarcam em Liverpool; mas com o tempo chega a gente a gostar desses lindos ciclones de saias, que passam tão estouvadas pela sociedade e que causam tanta agitação às duquesas com suas filhas.

Há algo de fascinante em seus gestos graciosos, exagerados, em sua maneira petulante de inclinar a cabeça. Seus olhos nada têm de mágico ou misterioso, mas nos desafiam à luta e, quando nos lançamos a ela, saímos sempre maltratados. Seus lábios parecem feitos para rir e, não obstante, não gesticulam nunca.[...]

Apesar de semelhante família, a moça americana é sempre bem acolhida. Anima nossos lúgubres jantares e faz com que a vida transcorra gratamente durante a temporada.

Na carreira aos títulos de nobreza, ganha com frequência o prêmio; mas uma vez alcançada a vitória, é generosa e perdoa tudo às suas rivais inglesas, até mesmo sua beleza.

O exemplo de sua mãe adverte-a de que as mulheres americanas não têm graça no envelhecer. E esforça-se em não envelhecer absolutamente e, quase sempre, o consegue.

Seus pés e suas mãos são delicados; anda sempre bem calçada e com lindas luvas; sabe falar com brilho sobre qualquer assunto, mesmo não entendendo uma palavra dele.

Seu senso de humor preserva-a da tragédia de uma "grande paixão"; e como não há em seu amor nem novelismo nem humildade, torna-se uma excelente esposa.



Oscar Wilde, em "A Invasão Americana", Court and Society Review, 23.03.1887.

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