28.7.10



Como desaparecer completamente é o título do livro que André de Leones vai lançar hoje à noite no Rio, na Travessa do Leblon. Eu, por exemplo, gostaria de desaparecer completamente na Islândia, a Gelolândia. Lá tem vulcão, hadoque, salmão e gelo no copo à vontade, pouca gente, desta menos ainda em erupção, praias desertas e uma língua incompreensível. O ideal para quem quer sossego e 13 graus de temperatura no máximo. Já o inverno no Leblon é quase glacial não passa de uma rima. Antigamente eu gostava do Leblon, suas ruas largas, limpas e tranquilas sempre davam num canto de praia sujinho mas aprazível. Diferente de Ipanema, que virara um anexo de Copacabana, ainda era possível andar no Leblon com calma impassível. Hoje há um papparazzo atrás de cada poste e o bairro virou conjunto habitacional de celebridades da Globo, a Hollywood vira-lata. Sim, eu gostaria de desaparecer completamente na Islândia, com a Islândia. Com seus poetas do tempo e da água, como Steinn Steinarr:


Time and the Water

Time is like the water,
and the water is cold and deep
like my own consciousness.
And time is like a picture,
which is painted of water,
half of it by me.
And time and the water
flow trackless to extinction
into my own consciousness.


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