5.12.07

Copacabana, São Petersburgo e as oficinas literárias




navegando por um conhecido site de literatura, achei lá uma oficina literária que nos sugeria um curioso exercício: escreva um conto ambientado na praia de Copacabana. só que ao lado da sugestão vinha uma lista de proibições vernaculares. não devíamos usar as seguintes palavras: água de coco, amendoim, areia, asa-delta, avião, barco, barraca, barriga, bermudas, bíceps, biquíni, bicicleta, biscoito, bola, boné, bronzeador, bunda, cachorro, calçadão, calor, camarão, caminhada, campeonato, canga, cedê, cerveja, céu, chapéu, chinelo, chuva, cochas [sic], cooper, COPACABANA, conversa fiada, domingo, ducha, esporte, esteira, estrela, flacidez, futebol, futevôlei, galera, garota, garotão, ginástica, horizonte, ilha, jornal, livro, lua, mar, mate, mulher, músculos, namoro, navio, oceano, óculos, ondas, panfleto, paquera, patins, peitos, pelada, peteca, picolé, praia, prancha, propaganda, protesto, protetor solar, publicidade, quiosque, rádio, rede, refrigerante, revéillon, revista, sábado, sandália, sexo, show, sol, som, soneca, sorvete, suco, sunga, suor, surfe, tanga, tênis, tira-gosto, toalha, trânsito, turma, vôlei, vôo-livre.

sim, eu entendi, a idéia é evitar o clichê. depois de tirarem todas as coisas boas de uma praia, a gente que se vire para escrever um bom conto ambientado na praia de Copacabana. que, diante disso, eu poderia ter escrito em São Petersburgo, ninguém ia notar a diferença. talvez eles não saibam de um detalhe, não importam as palavras, não há nada que não possa ser vulgarizado. lição de um grande autor, o que morreu em São Petersburgo.

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