25.12.07


a milhas do mar. passei o natal na estrada. acabo de chegar em nuestra señora de asunción direto de pedro juan caballero, onde não dormi uma noite e fui devorada por mosquitos de acapulco. temo a dengue. empoeirada, numa pensión familiar conheço Talita, uma pulga amestrada. tomo um banho e ligo para R. -- o que você está fazendo no cu da América Latina? foi comprar maconha? TV de plasma? pneus? nuestra señora del mercosur! R. espera os resultados de uns exames e está nervosa, não adiantaria eu explicar que cuando voy, estoy en mí. explicar jeanne duval, que afinal de contas não existe. para ela, só quem conhece o mundo inteiro pode estar no paraguai. porque ficou por último. meus pensamentos formam paredes e ela me conta novidades. que V. alugou um jipão e foi viajar com surfistas catarinenses, cansou de me esperar. ela espera na linha que eu diga alguma coisa. que me arrependa. que admita que sou sozinha porque quero. mas fico muda e abro uma lata de cerveja. se eu fugir correndo não passo do brasil. a la mierda. R. se cansa do meu silêncio turístico. como confiar num país que não tem saída para o mar? 2008 será um ano lírico, volte depressa. nos despedimos. conheço cada cidade pelo vento, que arrasta o seu lixo até meus pés. com asunción não será diferente. virgencita de la copacabana, diz o letreiro onde entro para almoçar. que diós vos bendiga, paraguay.



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