19.10.07



vou me matar amanhã pra me vingar do horóscopo
me enforcar nos seus cabelos
aonde você for
vendo novas madrugadas
minha mente e meu corpo
neste sábado morto
beber na adega pérola em copa
com a mãe de maysa
lembrando de erasmo
angela calada
um filé cortado em cubinhos
sábado morto
alguém cantando vinicius
vou me matar amanhã
formiga de mim
fazendo o et cetera
o garçom de ironia complexa
uma mesa sem leitor
cheia de copos
alguém começando a cantar
posso me matar agora
e nada disso acontecer
mas prefiro esperar
amanhã terá de ser
com a boca na frente
rostos suando
copacabana
e iná
não sabem que fui surfista
de um peso que não cabe
mais na prancha
alguém continua cantando
sábado morto
ali onde as lágrimas
fazem marola
sem precisar de poemas
três metros de palavras
olha que o barquinho vai
vem e passa
olha que sozinho
o sono acaba com tiros
iná
olha que vinicius
não entende de horóscopo
vinicius está morto
e todo amanhã é um sábado
lembrando de erasmo
que é vasco
e eu sou fluminense
vou me matar amanhã
pra me vingar dos seus cabelos
iná
sozinho
angela calada
na adega pérola
cantando tudo que tenho
eu, tomate de feira
sem outro possível,
peça mais um vinho,
sábado morto


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a manhã caindo por fora da janela
não colore ninguém
aqui dentro chamo de noite
batatas que fritam demais
para quem não entende de cozinha
se depender dos próprios olhos
céu azul queimado
voz fininha
e a vontade de cantar
num corpo sem ouvidos
se você disser
quinta-feira
eu atendo