2.1.07



NÃO FECHE SEUS OLHOS ESTA NOITE (Maira Parula -- Rocco) -- Eu também não sei o que esse ímpeto significa, mas ele, porra, está todo aqui, nesse livro da Maira. Um livro que já começa explodindo uma primeira boca em duas linhas e que pára logo adiante pra fritar alguns bifes. Um livro que se descolou de mim e passou a me tratar como sombra. Um livro que me arrastou linha após linha só pra me deixar assuntar o que ele estava fazendo. Um livro que faz coisas. Eu o li na penumbra, dentro de um ônibus Goiânia-Brasília, na noite em que o Brasil perdeu pra França. Não tentei, mas mesmo que tentasse (pra quê?) eu não conseguiria medi-lo. Um livro que faz ruídos engraçados enquanto mastiga o leitor. Um livro que me deixou com tesão e com vontade de fodê-lo e até hoje não sei bem por quê. Também não quis pensar a respeito. Um livro dos mais loucos, com um corte de cabelo bem estranho. Não conheço a Maira pessoalmente, embora me corresponda com ela desde pequeno. Ela me ensinou uma pá de coisas. Me ensinou que é preferível quebrar ao meio a se dobrar. Não feche seus olhos esta noite é um livro quebrado ao meio. Igualzinho a mim. Maira o escreveu pra mim. Talvez nem ela saiba disso, mas eu sei que foi. Nem sei como agradecer.


-- palavras de André de Leones, jovem autor de Hoje está um dia morto, publicado pela Record, um livro que também li de um fôlego só. Para André, o Não feche é um dos melhores livros que ele leu em 2006. Leia também, nem que seja para discordar dele. À venda aqui, na Travessa, Cultura, Submarino e boas livrarias do ramo, tudo sob encomenda, claro. Os livreiros não têm espaço a perder em suas padarias. Aproveite o restinho do seu décimo terceiro e dê o livro de presente a quem ama ou odeia. Ele serve aos dois propósitos, pois não tem meio termo, as pessoas ou amam ou odeiam. E ninguém dos dois lados soube até agora definir por quê. Nem os poucos resenhistas consagrados que o leram. O livro os confunde. Talvez meu livro seja caso de uma análise da crítica biológica da literatura -- os darwinistas literários -- uma corrente nova ainda incipiente mas que diz coisas relevantes. "Todo livro não passa de sedução sexual." A ver. Valeu, André.

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