26.5.06




Amigos, aí está a livraria da Travessa de Ipanema, no Rio, onde acontecerá o lançamento do meu livro na próxima terça-feira, dia 30, às 20h. Na foto ela ainda está vazia, mas vocês podem chegar cedo e pegar os melhores lugares, podem enchê-la mais um pouco para mim. Não precisam comprar o livro, é só passar por lá e ver a mané aqui, quem sabe dar um abraço. Outro dia vocês compram, ou não. Pra mim pouco importa se vai vender ou não, sem demagogia. Não espero muito retorno do tipo de coisas que escrevo. Seria uma completa idiota megalomaníaca se esperasse. Há 30 anos estou nesta estrada de escrever e divulgar meus textos em publicações independentes, revistas, jornais ou antologias. (Como todo mundo que escreve, já tive livros rejeitados por editoras, quando as procurei, o que confesso que fiz só duas ou três vezes na vida pois não sei dar tapinhas nas costas nem participo de panelinhas, o que aliás é a minha postura neste blog. Eu tenho bons amigos na blogosfera que fazem parte de vários grupos, nos quais eu não me meto, sou uma loner e espero continuar assim.) A publicação por uma editora grande foi a cerejinha pra coroar um bolo que eu ainda não sei o sabor que tem. Publicar por uma editora grande, porém, me trouxe muitas surpresas. As ruins: amigos que eu julgava assim se afastaram discretamente o suficiente para que eu pudesse perceber; as boas: de quem eu nada esperava recebi grande apoio, contrariando a máxima do Barão de Itararé. Mas não me queixo, fui até prevenida de que coisas assim aconteceriam. Não vou enganá-los, muitos dos textos do Não feche seus olhos esta noite foram publicados neste blog, porém no formato do livro, no critério de seleção e organização, eles ganharam um outro sentido, tiveram um novo caminho. Há textos inéditos também. O livro na verdade é para atingir um outro público, um público maior que ainda não me conhece, porque nem só de blogs vive a literatura. Amém. Algumas pessoas me perguntaram se o título do livro vem daquela música "Don't close your eyes tonight". Sim, é verdade. O título do livro foi sugestão de um grande amigo meu que foi assassinado por homofóbicos no ano de 2000. É em homenagem a ele portanto, e o livro é dedicado a ele. (O crime permanece impune.) É isso. Este será o último post-convite que publicarei. Chega. Após o lançamento, teremos as fotinhas de praxe, pra provar que não foi tudo cascata, certo? Estou obviamente ansiosa, nada que um bom ansiolítico com goró não resolva, mas vou relaxar e gozar o momento porque daqui a algum tempo tudo cairá novamente no limbo, na "normalidade". Talvez eu tivesse ainda alguma coisa a dizer, mas não me lembro agora, acordei esta manhã e vim direto pro computador falar com vocês. Minha barriga ronca. Vou tomar o meu café e lhes deixo um grande abraço. Até lá. Até breve.


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Novos doadores continuam aderindo à campanha da pombinha escritora. Ver no post lá embaixo. Obrigada, humanos.


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Para quem quiser comprar o livro sem sair da poltrona, que delícia, procure aqui, ou nos sites das livrarias Cultura, Siciliano, Saraiva ou no Submarino.

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segunda-feira: André de Leones, blogger e jovem autor amigo deste blog, acaba de me comunicar que também ele lançará seu romance, vencedor do prêmio SESC, pela editora Record no dia 20 de junho na ABL às 17 horas. Eu dou a maior força e assino embaixo. Andrezito, não se preocupe de ser na ABL, agora só falta o fardão! Beijos em Nélida, hiac hiac. Relaxe e sucesso.

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augúrios: nesta madrugada um burro ficou zurrando na porta de minha casa a noite inteira. o burro não é meu, mas cavalos e outros quadrúpedes costumam pastar no gramado do lado de fora de minha casa. será um sinal?

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25.5.06




Não adianta insistir, eu não quero ver o código da vinci, nem ler o livro eu li. Que coisa mais tacanha essa sua. Pode ser, talvez um dia em que eu esteja de melhor humor. Tem coisa muito melhor de se ler e ver, não vou perder meu tempo com essa histeria. Mas que café fraquinho, porra. É, e não dão nem uns biscoitinhos. Que frio. Por que você saiu sem casaco? Em casa tava quente. (silêncio) Eu preciso comprar umas roupas presse frio, meu guarda-roupa tá um esculacho. É uma boa. (silêncio) Aquele ali não é o F.? Quem? Aquele de calça marrom com a gordinha. F.? Não sei, deixa ele virar de frente. Tá meio gordo pra ser ele. Ele não estava morando na Bahia? Não sei, a última vez que soube dele estava procurando emprego em São Paulo. Me passa o adoçante, café amargo. É. (silêncio) Vai fazer o quê hoje? Quem? Vocêêê. Ah, sei lá. V. vai fazer uma excursão, quer subir o Kilimanjaro, me chamou pra ir. Na Tanzânia? E que outro? Da Disney? E você vai? Não tenho grana. Os jornais não me pagam. Tá tudo atrasado, um saco. Vida de freela é foda. É. (silêncio) E também não tenho saúde pra fazer trekking. Um frio da porra, ficar subindo em pedra feito jumento. Nem pensar. Programa de índio. Deve ser legal. Ficar longe do mundo. Ih, não viaja, tá cheio de turista lá, não dá pra fugir da humanidade. Sempre tem alguém na cacunda da gente, buzinando buzinando. Só morrendo. É. (silêncio) C. me convidou pro lançamento do livro dele. Ah, é? Ele conseguiu? Legal. Você quer ir? Não sei, tem outros três amigos meus lançando no mesmo dia. Porra, eu também vou querer, tem mais escritor que leitor. Mais que livraria. Pode crer. Olha lá, ele está se virando. Hum, não é o F., não. Ainda bem, não tô com saco hoje de falar com ninguém, ficar trocando currículo. Blablablá. Tá fazendo o quê? E aí, cara? Tá com aquele projeto ainda? E o fulano? Por onde anda? Sempre o mesmo papinho. Estamos amargos hoje, heim? Ah, não enche o saco você também. (silêncio) Quer outro café? Daqui a pouco. Já decidiu em quem vai votar? Eu vou é torcer pra Croácia, quer saber? Puta merda, junho vai ser um saco. Penumbrismo total. O quê? Nada, esquece. Tô com fome. Pede um sanduíche aí, eu pago. Nunca aprendi a fazer almôndegas. (silêncio) Já comeu abelha frita? Abelha frita? É, culinária japonesa. Acho que é chinesa. Não, é japonesa. É chinesa. Ai, caralho. Já comeu a porra da abelha frita? Lógico que não. Nem eu. (silêncio) Só queria saber se é bom. Tá ficando cheio aqui. Gente perturba a paisagem. Perturba a temperatura do ar. E o que é que não perturba você? Vai pegar no meu pé agora? Enche a boca de sanduíche e me esquece. Ih, há quantos dias você não trepa? Até parece. Vamos mudar de assunto. Acho bom. (silêncio) Vou pedir mais um café. Ei! Me vê mais um café, por favor? Dois? Não, UM. Não precisa gritar com a garçonete. Ela parece surda. O sanduíche tá bom? Médio. Analfabetos funcionais. Isto é pior do que o buraco negro de Calcutá. Do quê você está falando? Nada não, come aí. Tá na hora de reinventar a merda. Que surto, cara. Quero o meu café agora. DOIS. (silêncio) Você devia ir pro Kilimanjaro, sabia? Pra quê? Pra sentar a bunda na boca do vulcão. Não ia ser desta vez, o vulcão lá é adormecido. Não se pode confiar nem na natureza mais. E não é? (silêncio) Quero fazer um livro de poesia oligofrênica. (silêncio) Vou adorar. Vai nada. Vou sim. Tá bom. Talvez um livro dentro de um livro dentro de um livro. Tipo um livro que dá em outro livro que dá em outro livro? Isso aí, mais ou menos. Como coelhos que saem da cartola? É, mas sem o mágico. (silêncio) Coelhos bibliomorfos para coelhos idiólatras. Aí já complicou. Já acabou de falar de boca cheia? Já. Agora toma esse café, vai. Teus dentes tão cheios de pão. Dá uma bochechada. Babaca.



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22.5.06

Sylvia Plath e Ted Hughes

A nada mole vida de poeta





Os poetas Ted Hughes e Sylvia Plath tiveram um casamento conturbado. Ele, mulherengo e infiel, ela, depressiva e ciumenta. Sylvia grávida do segundo filho, Ted inicia um romance secreto com uma amiga do casal, Assia Wevill, mulher do poeta David Wevill, publicitária e aspirante a poeta. Sylvia acaba descobrindo e o abandona. Seis meses após a separação se mata aspirando gás de fogão, depois de sucessivas crises de depressão e de estar escrevendo como nunca, à luz de velas e num apartamento sem calefação que pertencera ao poeta Yeats. Suspeita-se que ficou sabendo que a amante de Ted esperava um filho dele, que acabou sendo abortado após o suicídio da poeta. Ted passa a viver com Assia -- uma mulher obcecada por Sylvia e que chegava a usar as roupas da poeta -- que, seis anos mais tarde e também sofrendo de depressão, se mata da mesma forma que Sylvia, com a cabeça ao lado do fogão e junto com a filha de 4 anos que teve com Ted e que era rejeitada pelo pai. Nessa época Ted já estava de romance com a enfermeira Carol Orchard, com quem veio a se casar e de quem se diz que também tentou o suicídio. A lembrança de Sylvia sempre acompanharia o poeta, que a certa altura escreveria o verso: "O teu fantasma, inseparável de minha sombra..." Os fãs de Sylvia Plath o odeiam, não sem motivos, o poeta declararia à Paris Review que queimou parte dos Diários de Sylvia referentes aos últimos meses de vida da poeta pois não queria que os filhos ficassem sabendo dos últimos dias de sofrimento da mãe. Ted Hughes era um dos poetas preferidos da nobreza britânica e de Margaret Thatcher, que deu uma mãozinha para ele se consagrar como poeta laureado. Ted morreria de câncer 35 anos depois de Sylvia Plath.




Assia Wevill, a Outra.



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19.5.06




Agradeço os donativos gentilmente concedidos a mim pelos seguintes bloggers na forma de divulgação do meu livro em seus blogs: Inagaki do Pensar Enlouquece, Valter Ferraz do Livros&Afins, Fal Vitiello do Drops da Fal, Fernando Cals do Observador, Helô do Bananaetc., Angela do Ursa Sentada, Aly do Letteri Café. Fico grata também aos comentários gentis de Meg Guimarães no blog de Inagaki e ao auxílio precioso de Cris Carriconde, ex-blogueira e fotógrafa, que fará a cobertura fotográfica da noite de autógrafos dia 30 na Travessão. Posso ter me esquecido de alguém, mas é só me avisar que coloco aqui. Obrigada.

atualização: putz, me esqueci, sim. O sinistro Ratapulgo também apostou! Valeu, Rata. E a poeta C., do Numa Cidade do Interior, também jogou umas palavrinhas para que eu as ciscasse. Brigadim, garota interrompida.


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17.5.06




Zizi: -- Lançamento de quem?

Chico: -- De um livro aí de uma tal de Maira.

Zizi: -- E quando é? Vocês vão?

Bethânia: -- Sei não. Tá muito em cima. É daqui a 20 anos.



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14.5.06

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"Um dia, ao entardecer, estava deitado no convés do vapor quando..."





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"Olhei para ele e não tive a menor dúvida de que estava..."





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"Fez-se uma pausa de extrema quietude, então riscaram um fósforo e o rosto..."




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11.5.06




Leia matéria de José Castello no Valor Econômico de 12 de maio sobre os caminhos da literatura brasileira contemporânea e o meu livrinho na parada.


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Aí está, amigos. O que dizer mais? Milagres às vezes acontecem. Todos estão convidadíssimos. Seria um prazer. A gente pode até se divertir. Para quem quiser saber mais do livro e ousar comprar, é só dar um pulinho aqui. À venda também nos sites Submarino, da Livraria Cultura, da Livraria Saraiva e da Siciliano. Beijão em todos.



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10.5.06




Réquiem


O bar fechou.

O chope acabou.

A luz apagou.


Ao sair
favor não balançar as alças.



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8.5.06




vi a saída da lua
tive um gosto singulá
em frente da casa tua
são vortas que o mundo dá



oswald de andrade, "o violeiro".


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6.5.06

4.5.06



S.O.S. 2

desliguei os aparelhos 48 horas depois. eu não podia mais dormir com aquela gritaria alienígena ou não martelando os meus ouvidos. meus cachorros já estavam ficando nervosos e cheios de tiques. me estranhando. sem querer comer feito eu e latindo pro nada. consegui dormir um pouco, tentei me concentrar no trabalho e relaxar no sol. o dia passou. ontem à noite fui pra varanda da casa tentar acabar de ler o livro que havia começado. eu queria me esquecer dessa obsessão. mas Graciliano Ramos não me ajudava, me deixava mais tensa com sua amargura. quando cheguei no final da página 76, ouço um barulho nos fundos da casa. um som de serra elétrica. mas quem estaria ligando uma serra elétrica às 2 da manhã neste fim de mundo? o meu vizinho mais próximo fica a quase 1 quilômetro daqui. eu não tenho serra elétrica em casa. pode ser o ruído de outro motor. o cortador de grama, a bomba d'água?, pensei. larguei o livro e dei a volta na casa querendo me controlar. lá atrás, completa escuridão. quase tropecei nos cachorros e -- não pude acreditar no que estava vendo. não deve estar acontecendo comigo. corri para dentro de casa e peguei a câmera digital no armário. eu tinha de fotografar. alguém precisava acreditar em mim já quem nem eu o conseguia. tirei uma foto de qualquer jeito, sem ajustar nada. tudo foi muito rápido. mãos que tremem, pernas bambas, cachorros latindo e nem um telefone pra tocar e me tirar daquele pesadelo. a nave foi baixando baixando e quando o flash espocou, começou a subir e zuniu numa parábola. sumiu em questão de segundos. senti um rombo no estômago. não havia mais estrelas no céu. uma névoa cobria tudo. e o silêncio outra vez. esperei os cachorros se acalmarem e me tranquei em casa. abri uma cerveja e fui pro computador. a foto ficou assim. eu voltei, amigos.

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P.S. Agradeço aos amigos e leitores que me escreveram preocupados, confundindo, como eu, ficção e realidade. O blog continua.

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