27.2.06

ainda sobre rock



quem precisa de jagger e bono? nosso roqueiro maldito, 73 anos incompletos, tem uma biografia e tanto e uma carreira incompreendida. é um performer, não precisa ter voz. sou fã e lamento não encontrar na rede o registro de uma só das letras das músicas que fez: "Rolava Bethania", paródia de "Roll Over Beethoven" do Chuck Berry, "Hell's Angels do Rio", "Maria Antonieta Sem Bolinho", "Eu Sou Psicodélico", "Mamãe Não Diga Nada ao Papai", "As Alucinações de Serguei", entre outras. seu material é difícil de achar. precisa de garimpo. se alguém tiver alguma letra dele, pode me mandar. agradeço. soube que a Baratos Afins, produtora independente, lançou em 2002 um cd com sucessos do Serguei. e viva o rock nacional.


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21.2.06




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19.2.06

"Alguém ainda vai pagar para me ver pelada?"





-- disse Sharon Stone, de 47 anos, antes de aceitar filmar Instinto Selvagem 2, que estréia em março nos cinemas. O filme teve muita brigalhada com a produção e uma ameaça de processo por parte da atriz. Sofreu cortes do diretor, impostos pela Motion Picture Association of America que achou-o carregado demais de sexo, drogas, violência e palavrões. A escritora psicopata Catherine Tramell está agora de volta em Londres, onde será psicanalisada por um pau-mandado da Scotland Yard e pilotará um carro à James Bond.






Charlotte Rampling faz parte do elenco de apoio, porque alguém tem de saber trabalhar. "Trabalhar com ela foi um sonho que realizei. Ela é meu ídolo", disse Sharon. Perguntada por que Michael Douglas não participaria da sequência como seu parceiro sexual, ela respondeu: "Alguém tem de ser mais jovem neste filme."





Bom, e pelo visto, a cruzada de pernas se dará na cadeirinha do psicanalista. Entre uma associação livre e outra. É esperar pra ver. Ou não.


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16.2.06

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15.2.06

Luis Chaves: 5 poemas





Luis Chaves, poeta costa-riquenho, nasceu em 1969, tem três livros publicados, El anónimo (1996), Los animales que imaginamos (1998) e Historias Polaroid (2000). É co-editor da revista eletrônica de poesia Los Amigos de lo Ajeno. Escreve simples e direto à sensibilidade. Para este blog, traduzi cinco poemas dele.


Postal

No mar à tarde,
calmo e sem ondas,
uma banhista solitária
entra até a cintura.

A metade de cima
observa algo que não vemos.
A metade de baixo
não existe.


A baixinha do canto escuro

Mamãe queria que eu fosse mulher
e que não chovesse nove meses do ano
e que papai a tirasse para dançar de vez em quando.
Mas era mais fácil amanhecer um dia com tetas
do que don Luis convidá-la para um bolero.

Há muitos anos minha mãe deixou de sonhar,
hoje aguarda a velhice como um último trâmite.
Essa mulher que em muitas manhãs
lavou e secou os pés que mais tarde
uma só vez dançaram com ela,
senta todos os dias nos degraus de sua casa
para olhar a dança vitoriosa da chuva
e para atender meus telefonemas,
cada vez menos freqüentes,
já nem sequer pode levantar-se
com o peso de tanta música morta nas pernas.


Plano B

Todas as decisões erradas de tua vida
fizeram com que chegasses até aqui.

Basta uma correta para afastar-te.


O objeto do desejo

Debaixo dessa pintinha tão sexy
cresce em silêncio
um tumor maligno.


Quanto dura a felicidade

O avô de mamãe,
totalmente senil,
dentadura de porcelana e fraldas,
sentado no meio de sua prole
que já não reconhece.
Depois de contar até três todos dizem giz.

Seu sorriso tem a mesma duração
que o instante mínimo
entre o flash e o obturador.


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13.2.06

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a word is dead
when it is said,
some say.

I say it just
begins to live
that day.



Emily Dickinson


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8.2.06




O inverno na Rutênia.
Casas baixas tomadas pela neve.
Na gaveta em Casbah
guardo meus postais de dias frios.
Atrás da casa. Atrás do beco.
Uma febre de três semanas.
Pelo mar. Pelos mortos.
Nada mais.
Fecho os olhos e meu corpo
é uma sorveteria.
No seu bairro.
Você, do outro lado do vidro.
Em pedaços.
Pelo menos já faz tempo.
Aqui seria depois.


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4.2.06




Porque hoje não é sábado e Vinicius de Morais que se foda porque o calor é infernal e quero entrar neste shopping agora, acabei comprando um Rive Gauche no pré e uma bolsa tipo carteiro por 29 reais. O All-Star era presente. Cano longo. Eu sabia que não se fuma mais em shopping e havia fumado uns três depois que saltei do táxi, onde também não se pode fumar mas sentir a catinga do motorista pode. Parece que a fumaça engarrafa o trânsito nas artérias entupidas das madames e seus filhotes gordos que flanam pelas lojas. A polícia do Rio-Sul são seus clientes, que deduram quem fuma lá dentro aos seguranças. Os seguranças fazem pose de FBI no walkie-talkie. O shopping é uma Alfândega limpinha. Branca, caucasiana, de banho tomado. Quem não faz pegação no banheiro olha vitrines, dois compram, o resto leva os celulares pra passear. De nariz empinado. As funcionárias das lojas te olham de cima a baixo, estou de havaianas, mas quando puxo o checão, elas me oferecem cafezinho e água gelada. Eu devia estar acostumada. Garçons só me levam a sério depois do segundo uísque, sempre foi assim. Pois eu ia dizer que estava com fome. Colei a bunda numa boca, longe da praça de alimentação, e decorei o cardápio. Salada caesar. Pobre metido a chique adora salada caesar. É infalível. Não quero pegar pesado com meu estômago, peço uma também e fico namorando a bolsa nova. Alisando. Cheirando dentro. Peço uma long-neck. Testando o fecho. Ajustando a alça. Vão caber poucos livros. A carteira. Chaves. Moedas. Analgésicos, cigarros, isqueiro. Neosoro. Agenda, celular, canetas. A papelada amassada de sempre. Posso deixar a agenda em casa e botar mais um livro. Ou mais analgésicos. Ou livro nenhum e só analgésicos, empilhadinhos. No segundo gole a mulher na minha frente está me encarando. Uns vinte e poucos anos? Bonita de lado, de frente, menos. Da sua boca sai um canudo que desce até a lata de coca light. Lábios grossos. Dois piercings. Um metro e setenta e sete de trevas. As unhas estragam tudo, pintadas assim de vermelho. Há quem goste. Ela olha pra esquerda mas seus olhos não demoram. Voltam pra mim. Meu celular toca. Tenho de estar na editora às quatro. Eu sei. Já estou indo. E a salada não chega nunca?, você pergunta. Também acho. Perturbada, guardo o celular na bolsa nova, entre as bolas de papel. A mulher percebe e ri. Eu não tenho o que fazer e rimos juntas. Quando a segunda cerveja chega, ela já está em minha mesa. De lata e canudinho. Sorrindo, diz um nome qualquer, estuda não sei o quê numa universidade aí. Eu não presto atenção nessas coisas. A salada chega. Ponho de lado. Perdi a fome. Cruzamos as pernas. É, eu sou do Rio mas não moro aqui, digo sempre que me perguntam. Não diga? A família do meu pai é toda de Minas. Tínhamos uma fazenda lá, gado leiteiro. Hum, hum. Você não é professora, é? Uma mosca taxia no prato. Uma mosca num shopping? Vai morrer com esse frio. Não, não sou. Tá sozinha? Mais ou menos. Pausa. Quer fazer um programa? Programa? Que programa? Comigo, ora. Ah. Não sei, tenho compromisso agora. Posso te atender mais tarde. À noite. Anota o número do meu celular. Eu não sei. Pausa. Você prefere outra coisa? Posso chamar um carinha amigo meu, gente fina, universitário também. Não é isso. Eu não costumo pagar pra essas coisas. Deixa de bobagem, gata, você quer, não quer? Você vai gostar de mim. Olho no olho: 14 segundos. Terceira garrafa. Você bebe sempre assim ou está tensa? Eu bebo sempre assim. E quanto você costuma cobrar? Depende, 500, 300. Ah. Silêncio. Bom, vou deixar você comer. Me liga se quiser. A qualquer hora. Tá. Tchau. Tchau. 15:47. Uma salada caesar + 3 long-necks + 1 coca light, 34 reais, gorjeta incluída. Tem troco pra 100?


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3.2.06

Alô alô São Paulo




Na Casa das Rosas, av. Paulista 37, 19h. Que dia? Dia 8, quarta-feira. Poesia, teatro, debate e outros babados, com esta gente toda aí. Eu recomendo. Apareça. No meio de tantos corpos, estarei lá em espírito.



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2.2.06

2 de fevereiro


nasce james joyce
2 de fevereiro, dia da Iemanjá
dia de festa no mar

2 de fevereiro
Dia Mundial das Zonas Úmidas




Tu viens?



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