31.1.06

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When you're dealing with a store like this, they're insured up the ass. They're not supposed to give you any resistance whatsoever. If you get a customer or an employee who thinks he's Charles Bronson, take the butt of your gun and smash their nose in. Drops 'em right to the floor. Everyone jumps, he falls down, screaming, blood squirts out his nose. Freaks everybody out. Nobody says fuckin' shit after that. You might get some bitch talk shit to ya. But give her a look, like you're gonna smash her in the face next. Watch her shut the fuck up. Now if it's a manager, that's a different story. The managers know better than to fuck around. So if one's givin' you static, he probably think he's a real cowboy. So what you gotta do is break that son-of-a-bitch in two. If you wanna know something and he won't tell you, cut off one of his fingers. The little one. Then you tell 'im his thumb's next. After that he'll tell ya if he wears ladies underwear. I'm hungry, let's get a taco.




Mr. White, em Reservoir Dogs, ou Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino. Para ler o roteiro completo no original passe aqui.

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29.1.06




Leia aqui na íntegra a entrevista com o ministro da cultura Gilberto Gil feita por Pedro Alexandre Sanches para a Carta Capital, onde saiu em versão resumida no início de janeiro. Você vai ficar sabendo das polêmicas envolvendo o ministério, por que figuras consagradas da indústria cultural estão reclamando tanto da atuação do ministro e o que o MinC anda fazendo afinal de contas. A entrevista é longa mas vale a pena. De quebra ainda vai ficar conhecendo o blog do Pedro, um dos meus preferidos. A caixa de comentários é uma das mais interessantes da blogosfera brasileira.


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Pequeno mar verde, menina de treze anos
Gostaria de te adotar
E te mandar para uma escola da Jônia
Aprender absinto e tangerina
Pequeno mar verde, menina de treze anos
Para que no farol do meio-dia
Tu faças girar o sol
Ouvir o som do destino
E compreender como de colina em colina
Conspiraram outrora nossos ancestrais
Face ao vento como estátuas
Pequeno mar verde, menina de treze anos
E que com tuas fitas, tua gola branca
Entres em Esmirna pela janela
Para copiar nos tetos os reflexos
Das Doxa soi e Kyrie eleison
E que o vento do norte e o vento do leste
Onda após onda te tragam de volta
Pequeno mar verde, menina de treze anos
Para que eu, fora-da-lei, durma abraçado a ti
E encontre no aconchego de teus braços
Pedras esfareladas as palavras dos deuses
Pedras esfareladas os fragmentos de Heráclito.



Odysseas Elytis

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26.1.06




Aí está a literatura keitai, ou literatura para celular. Keitai é o termo japonês para telefone celular. Ainda em fase embrionária mas fazendo sucesso, no ano passado milhões de pessoas leram pelo celular o romance Deep Love, do escritor japonês Yoshi. Contando a história de uma adolescente prostituta nas ruas de Tóquio, a obra, depois de estrondoso sucesso pelos celulares, numa divulgação boca a boca, virou filme e livro, vendendo quase 3 milhões de exemplares. Há também os keitai tanka, ou poemas para celulares, geralmente compostos em 31 sílabas. Você pode ler clássicos, best-sellers e textos escritos especificamente para a telinha do celular. Todos os textos devem ser curtos, para leitura rápida. As páginas vão baixando para você ler. Os neoeditores estão de olho neste mercado. Tudo começou no Japão, claro. E você ainda pode ler no escuro, só com a iluminação da tela. Que tal?


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22.1.06

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domingo é a tua mãe


paguei 4 paus pra ler a Folha no café da manhã. que lixo. reclamei que estava caro pelo que era e ainda me chamaram de pão-dura. o que nunca fui. fico puta com essas coisas. quebrei o barraco. nada como uma briguinha familiar. não compro JB porque a tinta fede. não dá nem pra secar batata frita. se você veio aqui procurando algo pra ler, hoje não tem nada não, se vira. leia o efraim medina reyes que é melhor. ele é pós-bukowski, como todos os rebeldes da virada do século. escreva sobre sexo, drogas e bandas, você vai ser publicado, cocalero. domingo infernal. estou parando de fumar e comecei a roer plástico. ou melhor, fique olhando por 10 minutos estas bolas aí em cima, descobrirá sinapses insuspeitas no oco do teu cérebro ou uma puta dor de cabeça. não sei o que faço agora, uma vontade irresistível de fazer haraquiri, harakiri, como se escreve esta merda?, de passar a faca no blog, vê se entende. além da dieta também. não se pode fumar, não se pode cheirar, não se pode comer, não se pode beber. viver pra quê , caralho? o céu eu já sei que é lindo. o amor eu já tenho. e o corpo me dói. não tenho resistência à dor. pra me anestesiar o dente o dentista precisa de umas 4 injeções. não quero, blogs confessionais depois de duas visitas me cansam. e ainda sugerem que se faça um livro onde o personagem é blogueiro. inédito no mercado. me poupem. faça você. sempre tem nicho velho prum escritor cansado. acho que não vou parar, vou continuar falando besteira aqui até o nunca. engulo uma bola cor de rosa, estabilizador de humor. domingo é a mãe. segunda-feira cumpro anos. colômbia, bolívia, chile, uruguai, cuba, o brasil essa vergonha. por que vítimas da ditadura têm de receber mesada vitalícia do estado? uma indenização chega e pronto. o presidente recebe 4 mil por mês só porque ficou preso 31 dias, mais o que já recebeu. não é isso? ou estou mal informada? ele não sofreu porra nenhuma em comparação com muita gente. passar férias no nordeste? tá louco. água de coco, praia cheia, overdose de bundas, axé na caixa, não aguento mais ver a cara superexposta de ivete sangalô, como dizem os gringos. a moça é uma fominha. você vai almoçar o quê hoje? ecstasy. ecstasy. ecstasy. só um copo de mate me dá taquicardia. a velhice é uma merda. bret easton ellis cheirou pó aos baldes, fumou crack, detonou toda a heroína da tailândia, 3 litros de stoli/dia, ácido, e o que não me lembro mais, ainda tá vivo. tem gente que com uma aspirina tem hemorragia estomacal. mundo injusto, mosquito. descobriu alguma coisa no movimento dos astros aí de cima? vou almoçar purê, pirê?, de batata com peito de frango. o estômago parou de doer. é psicológico, diz-me a psicologia popular. enquanto você não souber administrar as perdas, teu estômago não vai parar de doer. suspiro. acendo um cigarro, o primeiro do dia. meio-dia e 39. estou em juiz de fora com murilo mendes. ele morreu e não sabe que está ao meu lado. não reclama da fumaça.


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20.1.06




Ela chegou bufando do Jockey Club e colocou as pernas pra cima. Havia despejado as economias no quinto páreo e perdeu tudo. Tirou os sapatos e as calças vermelhas. Disse que o vermelho lhe dava azar e me pediu 1.000 paus com os olhinhos cheios d'água. Ia recuperar tudo no bingo aquela noite, eu ia ver. Tomou um banho, vestiu amarelo e ficou plantada na porta esperando. Dei-lhe 500. Era uma artista de talento. Famosa desde cedo, aos 20 anos pintava para a revolução. Aos 40, para comprar pó. Aos 60, tenta o destino nos jogos de azar. Todos os anos vai a Las Vegas. Perde umas 4 telas nas roletas. Odeia caça-níqueis. Diz que Mônaco perdeu o glamour e trabalha com cartas marcadas. Ela divide o apartamento comigo enquanto traduzo poemas de Li Shangyin. Fanática por Maiakovski e Rimbaud, diz que não entende poetas de gabinete. Mistura tintas de dia e embaralha cartas à noite. Antes de ela sair preparo um drinque para nós e lhe desejo boa sorte. Há dias longos e dias de haicai. Volto pro meu quarto e fecho a última estrofe.


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18.1.06


vade retro


aviso: o próximo email evangélico que eu receber terá um belo vírus como resposta. assim já é demais. não sou religiosa, não gosto de religião, acho que religião dá azar. não acredito em vida após a morte, nem em viagens fora do corpo. e a Bíblia é um belo livro de ficção. fui clara? deus, cada um tem o seu. é um direito. e ponto final. deixem-me em paz.


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17.1.06




Claes Oldenburg, em "Soft Typewriter" ou "Máquina de escrever maleável", 1963. Esta é a versão "fantasma", há uma outra em que a máquina é preta, toda feita em vinil, kapok, tecido e plexiglass.


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14.1.06



o passado terminou ontem
já não há revoluções debaixo do colchão
na foto meus amigos mal sorriem
segurando o copo, fui de navio pra São Paulo
suas almas ficaram na praia.

vida sala quarto cozinha e banheiro,
são outros sentimentos
quando um cachorro morre,
deixa manchas na lua
por isso vigio, sou paciente
e não mordo meu dono.


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13.1.06




"Io non so littere!" -- "eu não sou letrado", disse o papa Júlio II a Michelangelo. O artista queria colocar um livro na estátua que faria do papa, este preferiu uma espada.


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9.1.06

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um supermercado na Califórnia


Não paro de pensar em ti esta noite, Walt Whitman,
caminho pela calçada, sob as árvores, com uma dor de
cabeça constante e olhando a lua cheia.

Em meu faminto cansaço, faço compras na imaginação, entro
num supermercado de néon sonhando com tuas listas!

Que pêssegos e que penumbras! Famílias inteiras
nas compras da noite! Corredores cheios de maridos! Mulheres nos
abacates, bebês nos tomates! - e tu, Garcia Lorca,
o que fazes aí na frente dos melões?

Te vi, Walt Whitman, sem filhos, velho comilão solitário,
apalpando as carnes no refrigerador, de olho nos
funcionários garotões.

Te ouvi perguntando a cada um: quem matou as costeletas
de porco? Qual o preço das bananas? És o meu Anjo?

Perambulei pelas brilhantes prateleiras dos enlatados,
te seguindo e sendo seguido pelo detetive da casa
em minha imaginação.

Percorremos todo o supermercado juntos em nossa solitária
fantasia, provando alcachofras, pegando cada delícia congelada
sem passar pelo caixa.

Para onde estamos indo, Walt Whitman? Daqui a uma hora
as portas se fecham. Que caminho a tua barba hoje aponta?

(Toco em teu livro e sonho com nossa odisséia no supermercado
-- que absurdo.)

Caminharemos a noite toda por essas ruas solitárias? As árvores
fazem sombra às sombras, luzes apagadas nas casas, estaremos sozinhos.

Andando e sonhando com a América perdida de amor,
passando por automóveis azuis parados, a caminho de nosso solitário refúgio?

Ah, querido pai de barbas grisalhas, velho e solitário mestre de coragem,
que América conhecestes quando Caronte parou de conduzir
e desceu-te na margem enfumaçada enquanto vias
o barco desaparecer nas negras águas do Letes?



Allen Ginsberg, Berkeley, 1955.


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6.1.06

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-- Eu não vejo filmes em que o peito do mocinho é maior do que o da mocinha.

-- Não é preciso ter parentes em Kansas City para ser infeliz.

-- Trepar bem é como jogar bridge. Se você não tem um bom parceiro, vai precisar ter uma mão muito boa.

-- Se continuares fazendo aniversário, vais acabar morrendo. Beijos, Groucho.


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4.1.06

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você é assim
um sonho pra mim
e quando eu não te vejo

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eu penso em você
desde o amanhecer
até quando eu me deito
eu gosto de você
e gosto de ficar com você
meu riso é tão feliz contigo
o meu melhor amigo é o meu amor
e a gente canta
e a gente dança
e a gente não se cansa

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de ser criança
a gente brinca
na nossa velha infância
seus olhos meu clarão
me guiam dentro da escuridão

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seus pés me abrem o caminho
eu sigo e nunca me sinto só
você é assim
um sonho pra mim
quero te encher de beijos

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eu penso em você
desde o amanhecer
até quando eu me deito...



-- agradecimentos aos Tribalistas


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3.1.06

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- do excelente Toog, alter ego do músico e poeta francês Gilles Weinzaepflen. Um dos melhores blogs da rede.


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