5.7.06




sinto dores no reto enquanto durmo. eu não vou me levantar pra cagar. vai que me sai um caroço de tucumã e a noite arrebente lá dentro. não gosto de namoro grudado quando só eu existo no mundo. se toco outro corpo, é como se tocasse o meu. a pele do mar. abraço as pernas duras de drummond e um verso gelado e morto percorre minha espinha. a vida passada a bronze. o poeta vive jogado na praia. os amigos o abandonaram lá com as moscas da areia. você respira no meu ouvido, esperando que meu amor saia por ali. olhos de anzol, descarrega o mundo no meio da sala e me abraça às cegas. resmunga e me pede que eu não escreva isso. que não escreva nunca mais porque me arranha o trato intestinal. despede-se num balão de quadrinhos antes de partir pra Tremembé. patina nos meus pensamentos por uma estrada que já saiu de moda. bombons velozes, trocamos de pose. nossas mãos juntinhas suando no copo de gim.

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