12.6.06

Acaba de ser lançada no Brasil, pela Editora do Bispo, Aurélia, a dicionária da língua afiada, a primeira dicionária de língua portuguesa de termos e expressões do universo gay. Seus autores, ou organizadores, são o jornalista Ângelo Vip e o professor Fred Lib, ambos usando pseudônimo. Segundo eles, o projeto teve início em um site gay já extinto onde eles catalogavam os termos com a colaboração dos leitores. Eu me lembro deste site lá pelo ano de 2000, onde realmente havia uma página dedicada ao "Aurélia". Quem quisesse podia consultar e participar enviando exemplos das gírias que conhecia. Me lembro também que um amigo meu na época inventava umas gírias gays tétricas que só ele usava de brincadeira, expressões que não representavam nada do e para o mundo gay, eram uma invenção particular, doméstica. Pois bem, na época, também de brincadeira, eu coloquei lá neste site, cujo nome esqueci, estes termos que meu amigo inventou e mais alguns que eu conhecia e que eram "reais", quer dizer, eram realmente usados no universo gay que eu conhecia, o do Rio de Janeiro. Logo depois fiquei surpresa de constatar que todos os verbetes que enviei foram adicionados ao "Aurélia" do site. Estou curiosa agora para ver Aurélia, o livro, para saber se as expressões que meu amigo inventou ainda estão lá. Não quero colocar em dúvida o projeto da dicionária ou a coragem da editora em bancá-lo, apenas a veracidade de algumas "fontes", como a minha. Antes de ser um dicionário rigoroso, Aurélia vale por ser também uma obra de ficção de autoria coletiva. E já está causando polêmica. A família do famoso dicionarista quer tirar o dicionário gay das livrarias, alegando que é um caso de proteção da marca e não de homofobia. Sei. Bom, não é de espantar, pois hoje se sabe que os escritores viraram grife também. Ludlum, por exemplo, já morreu e ainda continua escrevendo best-sellers.

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