4.5.06



S.O.S. 2

desliguei os aparelhos 48 horas depois. eu não podia mais dormir com aquela gritaria alienígena ou não martelando os meus ouvidos. meus cachorros já estavam ficando nervosos e cheios de tiques. me estranhando. sem querer comer feito eu e latindo pro nada. consegui dormir um pouco, tentei me concentrar no trabalho e relaxar no sol. o dia passou. ontem à noite fui pra varanda da casa tentar acabar de ler o livro que havia começado. eu queria me esquecer dessa obsessão. mas Graciliano Ramos não me ajudava, me deixava mais tensa com sua amargura. quando cheguei no final da página 76, ouço um barulho nos fundos da casa. um som de serra elétrica. mas quem estaria ligando uma serra elétrica às 2 da manhã neste fim de mundo? o meu vizinho mais próximo fica a quase 1 quilômetro daqui. eu não tenho serra elétrica em casa. pode ser o ruído de outro motor. o cortador de grama, a bomba d'água?, pensei. larguei o livro e dei a volta na casa querendo me controlar. lá atrás, completa escuridão. quase tropecei nos cachorros e -- não pude acreditar no que estava vendo. não deve estar acontecendo comigo. corri para dentro de casa e peguei a câmera digital no armário. eu tinha de fotografar. alguém precisava acreditar em mim já quem nem eu o conseguia. tirei uma foto de qualquer jeito, sem ajustar nada. tudo foi muito rápido. mãos que tremem, pernas bambas, cachorros latindo e nem um telefone pra tocar e me tirar daquele pesadelo. a nave foi baixando baixando e quando o flash espocou, começou a subir e zuniu numa parábola. sumiu em questão de segundos. senti um rombo no estômago. não havia mais estrelas no céu. uma névoa cobria tudo. e o silêncio outra vez. esperei os cachorros se acalmarem e me tranquei em casa. abri uma cerveja e fui pro computador. a foto ficou assim. eu voltei, amigos.

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P.S. Agradeço aos amigos e leitores que me escreveram preocupados, confundindo, como eu, ficção e realidade. O blog continua.

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