28.11.05

Superando expectativas: livro BdP já parte para a segunda edição

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Amigos, aí estão alguns flashes da noite de lançamento do Blog de papel. Vê-se que com a emoção frenética do momento, não deu pra regular câmera nenhuma e as mãos tremelicavam. Mas vejamos. Lá em cima Alê Félix, Cris Carriconde e Inagaki. Logo embaixo Arquimimo e Sérgio Fonseca, todos participantes da antologia. Fernanda Fonseca, uma das ilustradoras do BdP, também se uniu ao grupo. A moça olhando as estantes é Marina W. Alguém estica o dedinho exigindo seu exemplar autografado. À direita, eu, numa fase 20 litros+. E por último, um grupo animadíssimo de professores de literatura cariocas que foram conferir a iniciativa. Mas muitos mais baixaram por lá. A estonteante Cláudia Letti, a poeta Bruna Beber, em uma aparição-relâmpago, Luís Gravatá, MarcosVP e Thânia, João Nababu, Cristiana e Maria Helena Nóvoa, e mais gente de que me esqueci agora. E, claro, não faltaram os leitores de blogs, que também foram conferir o lançamento simultâneo do livro Malvados, de André Dahmer. Como minhas fotos estão meia-boca mesmo, passem no Pirão sem Dono para ver uma cobertura melhor do evento e o frisson que causou nos blogueiros mais antigos a presença lá de Ólabauti. Após o lançamento fui convocada pelos curiosos professores para uma reunião etílica onde precisei de muitas doses para explicar, e eles de outras tantas para entender, a relevância do fenômeno blog. Não sei mais o que dizer, sou péssima colunista social. Só sei que fiquei contente de estar lá, conhecer todo mundo e de ter participado do projeto, que superou as expectativas, pois já tem gente pedindo o Blog de papel 2. O BdP 1 entrará em segunda edição.


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25.11.05

Última chamada

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Amigo leitor, o Prosa Caótica voltará ao seu ritmo normal antieuforia e anti-self-marketing na próxima semana. Tenham paciência. Enquanto isto, contamos com a presença de vocês neste lançamento do Blog de Papel no Rio. Será um evento meigo, íntimo e totalmente unplugged. Distribuirei abraços aos leitores e links aos blogueiros. Peço desculpas a quem porventura esqueci de convidar e aos meus queridos leitores de Portugal, a quem julguei que não atravessariam o oceano para ver-nos. Teremos a cobertura fotográfica de verdadeiros amadores e profissionais. Ferreira Gullar, os ministros Caetano-Gil-Gal-e-Bethânia, Chacal e Nuvem Cigana foram convidados, mas receio que não poderão comparecer pois estarão ocupados em performances poéticas demenciais no Festival Poesia Voa do Circo Voador. E ela. Como eu poderia esquecer-me dela? Nélida Piñon, também convidada, disse-me ao pé da orelha que lamentava muito mas que não poderia comparecer a este "acontecimento marcante da hipertextualidade" porque estava embarcando para Cabul, onde receberá o prêmio Buzkashi de melhor autor da língua portuguesa pró-Ocidente.

Bem, a maratona está chegando ao fim. Quem não puder ir, compre aqui. Quem não puder comprar, compre depois. Quem não quiser comprar, não compre.


ass.

Frente de Libertação do Leitor


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24.11.05

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Sergio Buarque de agá ó dois éles a ênne de á, com parte de mim que talvez êste livro não conte... será que não conta mesmo? Acho que conta sim tudo o que afinal não passo de, vulgo: uma bêsta. Adonde é mesmo que você está morando agora? De automovel sei ir porém pelo Correio não sei. Ergo: baldeação Pruden-tico.

Mário

P.S. - Aquele "ergo" é latim. Não trata-se do verbo "erguer" só usável em livros mucudos.



Mário de Andrade, em dedicatória a Sérgio Buarque de Hollanda do livro Há uma gota de sangue em cada poema, São Paulo, 1917.


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22.11.05

Festival Poesia Voa (reloaded)

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Começa amanhã e vai até o dia 27 no Circo Voador o Festival Poesia Voa. Vinte anos após a primeira edição do Poesia Voa, que revelou Fausto Fawcett e Renato Russo e contou com a presença de Antônio Cícero, Jorge Salomão, Cazuza, Paulo Leminski entre outros 118 participantes, o Circo Voador promete para este ano um happening total, com workshops, videoshows, exposições, performances poéticas, instalações e shows de música. Ferreira Gullar é o patrono do festival de 2005 que espera receber Caetano Veloso, Frejat, Lobão, Pedro Bial, Jorge Mautner, Antônio Cícero, Fausto Fawcett, Elisa Lucinda, os grupos República dos Poetas, Versos da 1/2 noite, Te Vejo na Laura, Escola de Poesia Viva, Poesia Pop, Palavrão, Camaleões, CEP 20.000 e Nuvem Cigana, num total de 250 participantes. O Poesia Voa terá no dia 27 um encerramento festivo, com um tributo à memória de Waly Salomão com a participação de Luís Melodia, Macalé, Martinália, Caetano e Gil, entre outros. Uma das surpresas parece ser a volta de Bial aos Camaleões. Veja aí na foto debaixo os Camaleões Pedro Bial, Claufe Rodrigues e Luiz Petry se apresentando nos anos 80 em um sarau etílico. Não é só a poesia que voa.

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O Circo Voador não deixa por menos, pretende que este seja o maior encontro da poesia contemporânea. A conferir. Se você estiver no Rio sem nada para fazer, pode ir dia 27 no lançamento do Blog de Papel na Travessa de Ipanema às 19h e depois se acabar no Circo. Fica a sugestão.

p.s. Falando em Blog de Papel, o lançamento em São Paulo foi neste clima. Vai querer perder o do Rio? E a pastel aqui ainda vai estar lá. Abração.

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20.11.05

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O único problema
do haicai é que você
mal começa e aí



Roger McGough


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18.11.05

Teste Vocacional


Meu bem eu quero ser
Um bom poeta pra você

Não vou buscar os simbolistas
porque o séc. XX já buscou
ezra pound
t. s. eliot
poe, e blake,
que também era místico.

macalé, melodia, tqto, wally

Ou os poetas de guerra
sassoon
sorley
owen
brooke
entre os georgians.

Já quis ser surrealista breton
ou desnos.
Mas dizem sou poeta
do apocalipse
Ou poeta landscape
concorrendo com poetas
do Cairo.

Um beat ou um metafísico.
Parnasiano, formalista.

Meu bem eu quero ser
Um bom poeta pra você

Meu bem eu sou poeta.
É a minha profissão.

O dylan thomas o bob dylan
que faltava no oswald
O baudelaire que baixava no mário.
Ou satie, amigo de apollinaire
in bulevar de Montparnasse.
O mallarmé
que sonhou leminski
e rimbaud desfilando para os meninos
na praia de Copacabana.

Teu valéry teu verlaine teu valéry teu verlaine teu valéry teu verlaine.

Um bom poeta.

cummings
cummings
cummings
cummings.

To me.
To me or not
to me.

Poesia da Eslováquia
feita para as massas.
Ou não.
Yes mann, Yes rilke
No heine, No Hesse
Teu brecht, teu grass.

Eu vou lembrar todos os dias
de trazer o pastel de basho
junto com a faca junto com a prosa
do mishima
embrulhada num papel de pão
dentro da bolsa de plástico da padaria.

Runto com bóRrres pedro ruan gutiérrez oquitábio paz. Devagar,
lorca-cortázar.
Devagar,
lorca-cortázar.

Meu bem eu fui um bom poeta pra você

Alighiere!
Ungaretti!

Meu bem eu fui um bom poeta pra você

Fiz o horácio, o ovídio
juvenal, teu catullus.
Tua paixão cearense
na Roma Antiga.
A grega Safo
Ou qualquer poeta hebraica
que eu jamais conheça.

Meu bem eu fui
Um bom poeta pra você
E ainda posso melhorar
Quando descobrir
onde estão meus bukowski
onde estão minhas bishop
onde estão meus burroughs.

Ò meu creely
meu corso
meu d. h. lawrence dói nos quartos.

E onde está vladimir mayakovsky
Se encontra nabokov?
Com pavlova? Cruzes.
Com o pushkin pode.

E que murilo mendes durma
com gregório de matos guerra
na cadeia no navio no teatro
ou numa praça do subúrbio
chamada jean genet.

Ô, dos anjos, vê se entende
que o jorge de lima é o meu carma.
e aproveita
e concorda
que o quintana já foi tarde
E o drummond.
E que o bandeira
deveria ser chamar
Poesia de Domingo.

Sá carneiro!
pessoa.
camões.

Eu fui teu poeta da Pérsia
Não fui?
E dorothy parker fazendo escândalo
no salão de chá
E posso ser de novo
Todo dia ou toda hora
Teu ginsberg
Ou tua moore.

Tua plath.
plath plath.
stein
thoreau
Os quatro dáblius em
Walt Whitman William carlos Williams.

Poetas turcos
estão seguros
dos poetas africanos?
E olha que eu já ia
morrer sem saber
que peter strauss
é um poeta africano do sul.
antes era só o nome
daquele meu amigo peter
que por acaso tem strauss
no sobrenome.
Você se lembra?

Mostre segurança.
Mostre segurança.

E se faltar cerveja
Pega o marcelo montenegro
que eu trouxe no saco
junto com o wally
e o tqto
por pura provocação
todos os poetas em chacal

Se faltar alegria
pega o nilsson
john paul ou bowie.
Mas o neruda
jamais.

Fui algum poeta galês
Algum bêbado, algum bardo.
Teu sérgio sampaio
ou algo que possa
doer menor em itamar.

E se um dia eu morrer,
vou deixar meu sergio mello pra você.




Bruna Beber, em poema inédito para este blog.


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14.11.05

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O mundo balança a cauda, focinho úmido. Não sei se quero diferente ou se deixo que suba no meu colo novamente. Preciso de você. Venha agora. Saí apressada e fui vê-lo no hospício de Barbacena. Encontrei-o no jardim atrás do estacionamento. Era como se sonhasse. Não usava mais pijamas. Seus olhos não me encontraram. Eu já não tinha nada dentro. Mostrou-me uma ferida no braço, Vê?, eu posso ser você. Era um bom jogador. Minha caricatura desbotou. Desarmada, sentei-me num banco. Onde está o cachorro? Enxotei-o. Por que o interesse? Ia levá-lo desta vez? Não respondi. Se ele pode ser eu, deve saber. Puxou do bolso um papel amassado e me entregou. Estiquei-o sobre a coxa. Após a minha morte não deixe que meus escritos sejam...uma mancha de café. Não dá pra ler o final. Exumados, escrevi exumados. E quem exumaria o que escreveu? Ele não respondeu. Por trás do bigode, sua boca se desacostumara de significados. Tem escrito muito? No quarto havia uma mesa, cama e pia. Nunca me pediu que o tirasse de lá. Vivia ainda nas ruas de Montevidéu, seu livro de maior sucesso. Fechou os olhos. Com pouco alcatrão no corpo, puxei um cigarro. Eu ainda tinha tempo para me ausentar. Quer fumar? Você sabe que eu não fumo. Tinha orgulho da saúde perfeita. Trouxe o livro que me pediu. Por que você só me traz livros que eu não escrevi? Por que gosta de me torturar? Abri o livro e folheei-o pouco a pouco. Minha mão úmida subindo e descendo lentamente. Ele embaralhava as letras com os olhos e escrevia outro livro só dele. Eu não precisava ler. Sabia qual dos dois escrevia cada página.


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poesclerose


poeta das areias sujas de ipanema
tua poesia ficou velha
ipanema ficou velha
enrugadas no ABC da belartrite

tu também ficastes velho
bengala eterna dos versos laudatórios
que ninguém mais suporta ouvir

poeta do desbunde, meu poeta libertário
nem tudo está perdido

-- olha --

ainda tens a janela do ônibus pra pensar
e uma última folha de mallarmé para apertar.


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9.11.05

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Amigos, aí está a capa do Blog de papel. Um livro que reúne 14 escritores blogueiros, blogueiros escritores, como quiserem definir. Eu estou na área. Quem quiser nos dar o prazer de aparecer nos lançamentos, estaremos lá, em Porto Alegre (dia 12 de novembro), Florianópolis (dia 16), Curitiba (dia 17), Goiânia (dia 18), São Paulo (dia 19) e Rio de Janeiro (dia 27). Saiba mais de quem participa, da agenda de lançamentos, onde comprar, enfim, o que é esta história de Blog de papel aqui.


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8.11.05

o acaso do porco

o porco era um sujeito muito curioso.
mas acima de tudo, simpatizava deveras com o vocábulo "por que"
separado.

num bonito dia de sol e calor de abafação, estava ele tranqüilo a pastar - sendo que pastar, para quem realmente compreende esta arte, proporciona prazeres indecifráveis -, portanto pleno de não expiação, quando sentiu coçar o orifício esquerdo de sua tomada nasal. já não mais acometido de transe satisfatório, fez a sinapse automática e ligou o "por que". foi então que os felizes pastantes, de pronto incomodados com o súbito questionamento, tomaram noção da canseira proporcionada pelo escaldamento solar e decidiram em revolta a invenção do porco à pururuca, aproveitando o clima propício para um assado natural e, de quebra, calando a boca do porco com uma maçã sem graça que surgiu do nada.

não souberam explicar o nome dado ao suculento.
talvez tenha sido por acaso.


a baleia pelancuda



Outros links

1) Máquina do Mundo, revista eletrônica de poesia editada por Fabrício Carpinejar e Roberto Schimitt-Prym.

2) Milton Ribeiro, em especial o post sobre a ignorância de Paulo Francis.

3) Stromboli e Madame Forrester, dizendo coisas que a imprensa não diz.

4) Thiago Ponce, um poeta de poetas.

5) Ursa Sentada, um blog indianista, definitivamente tupi.

6) Eduardo Oliva conversa com os autores Cíntia Moscovich, Paulo Henriques Britto e Cristiane Costa, também editora do site Portal Literal.

7) Letralia, excelente site venezuelano de literatura hispano-americana.


Por hoje chega, boas visitas.

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7.11.05

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la sombra se adelanta
escribe & borra
antes que yo



antes enterrábamos a nuestros muertos
en la tierra de nuestras casas
en el calor de nuestra vida
en el recorrido de nuestros pasos

ahora les alejamos rápidamente
les compramos un espacio aparte
& sentimos el hielo de la muerte
en este espacio vacío del pecho



Sergio Holas, em Casas de culebras & silencios, 1998.

imagem: Marc Poole

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6.11.05

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A blogosfera brasileira ficou mais sem graça. Daniel, o Santo de Casa, nos deixou de vez, desistiu. Daniel, o "santinho", como o chamávamos, com suas cômicas bênçãos, lá pelos idos de 2003, protegia todos os blogueiros divulgando blogs desconhecidos ou não, sempre comentando o que de novo acontecia no blogomundo. O Prosa deve muito a ele, a sua generosidade e bom humor. Não sei mais o que dizer. É isso. Fica em paz, meu Santo, onde quer que esteja.

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4.11.05

Guimarães Rosa

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Dizem que o Rosa é regionalista... Eu me divirto muito com isso, porque dizem que eu fiz uma paisagem, um crepúsculo mineiro, e não é nada de crepúsculo mineiro, é um crepúsculo que eu vi na Holanda, misturei com umas coisas que eu vi em Hamburgo, com coisas de Minas, misturei tudo aquilo e joguei lá -- e as pessoas dizem que estou fazendo uma cena do interior de Minas, eu estou fazendo é um omelete ecumênico. O Rosa é como uma ostra: projeta o estômago para fora, pega tudo, de todas as fontes possíveis e introjeta de novo no estômago, mastiga tudo aquilo e produz o texto.


Guimarães Rosa, em conversa com Haroldo de Campos relatada no documentário Os nomes do Rosa, 1996.


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O Livro Aberto é um programa de livros, leituras e entrevistas com autores que acompanha as novidades do mundo editorial. Criado pelo escritor português Francisco José Viegas, também um ativo blogueiro, é transmitido pela RTP-N, canal português de televisão. E, maravilha, também tem um blog: o Livro Aberto. Vale a pena conferir.


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3.11.05

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Poema


Eu quero ser aberto por punhais
e escavado no fundo dos meus ossos.
Quero abrir esta alma que me morde
como se abre uma noz, ver o que encontro.
Quero saber bem claro isto da vida:
que louco insaciável represento,
de que sede, que febre somos feitos.


Hector Yánover



Nuno, é pra você. Pelos 2 anos de Rua da Judiaria e tudo o mais.


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1.11.05

anotações de leitura, rabugices & afins


* estatísticas: um americano nascido nos anos 1990, ao completar 75 anos terá produzido 52 toneladas de lixo, consumido 193 milhões de litros de água, 3.375 barris de petróleo, gasto energia equivalente a 6 mexicanos, 38 indianos e 531 etíopes.

* as crianças americanas gastam 24,4 bilhões de dólares por ano; os adultos, 300 bilhões. calcula-se que um adolescente americano já tenha sido exposto a 360 mil anúncios de propaganda; e 93% das adolescentes americanas afirmam que seu hobby predileto é fazer compras (foi a Carla Peres que disse em entrevista que o hobby favorito dela era "cor-de-rosa"? sim, meninos, eu ouvi. como ouvi há tempos uma entrevista de Gal na rádio JB: "Gal, o que é para você o transcendental?", "Ah, é aquela coisa lá das montanhas").

* Hollywood produz 85% dos filmes assistidos no mundo.

* Quase 1/2 da população americana está acima do peso. "A América obesa faz a África morrer de fome para manter estável o peso corporal da humanidade", no The Washington Lost.

* Em 1983, 50 grandes empresas controlavam a mídia americana. Em 2000, esse número caiu para 6.

* "A população idosa saudável dos EUA é o único recurso natural do país que está aumentando" (Marc Freedman).

* Miguel, Miguel, não tens abelha e vendes mel.

* Febre maculosa? Carrapato-estrela? Onde isto vai parar? Já morei em Itaipava poucos anos atrás, os carrapatos eram mansos então. Como uma pousada pretensamente chique mantém cavalos infestados de carrapatos? Conheci a Capim Limão, ex- Capim Santo, quando fui lá no restaurante estudar o cardápio, visitar. Preços salgados e em 2 minutos que fiquei na varanda do restaurante fui mordida por uma infinidade de mosquitos. Dei meia-volta e saí me coçando. O turismo brasileiro é curioso, abre-se centenas de pousadas, restaurantes, cafés e shoppings, o resto não interessa. Itaipava vai penar, já não andava bem das pernas por conta da violência na Linha Vermelha. Enfim... Brasil, terra do Opportunity. Cherchez la vache! Cherchez la vache!

* frase durante o sonho: Eu não queria escrever hotel com agá.

* mais de Luiza Neto Jorge: "por que envelheço, adoeço, esqueço/ quanto a vida é gesto e amor é foda;/ diferente me concebo e só do avesso/ o formato mulher se me acomoda."

* "Couto cuidado com os mitômanos! Nós estamos cercados de mitômanos!! Há mitômanos no jornalismo, na política, na literatura. Eles penetram em nossas casas!!! É horrível." Disse-o Manuel Bandeira em carta de 1926 a Ribeiro Couto.

* " Meu fotogênico C. R. Não se envaideça com o qualificativo. Ele transcende a iconografia pessoal. Fotogênico aqui vai como sinalação de indivíduo de precisos contornos, de acentuadas feições típicas, de robustas formas psicológicas e morais. Quero dizer sujeito nada evasivo, impressionista ou enervado de hesitações, problemas e hamléticos escrúpulos. Não. Você quando é, é. É mais do que o princípio de identidade. É o princípio de adesão." (Oswald de Andrade na mordaz crônica "Bilhete aberto"publicada no Correio da Manhã, anos 40. O C. R., a quem ele se dirige, é nada mais nada menos que o poeta Cassiano Ricardo, então diretor do DIP, departamento de imprensa e propaganda do governo getulista, que exercia a função de censor dos meios de comunicação.


* e pra finalizar, um poeminha saído do forno agora:


Pôquer literário


-- Aposto um Lúcio Cardoso.

-- O teu Lúcio mais 2 Rubens Fonseca.

-- Passo.



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