10.9.05

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Jurandy me deixou aqui pensando. Foi buscar um côco. A areia pinica minha bunda. Jurandy gosta de praia deserta. Pra mim tanto faz. Ele diz que gente demais mancha o mapa. Jurandy fala bonito. No princípio eu assustava. Agora acostumei. Deixo ele falando sozinho, como no rádio. Enquanto ele fala eu penso. Falo comigo coisas que Jurandy não ouve. Porque se ouvisse não ia me beijar com tanto gosto. O mar me deixa triste. Triste mesmo. E tristeza é coisa de vício. Não dá pra controlar. Se eu entrasse na água agora, Jurandy nem ia ver. O que não se vê não dói. Não tem do que lembrar. Lembrar que eu fui lá pro fundo, mas tão fundo do fundo que ele nunca conseguiu me alcançar.


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