11.5.05

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Pessoal e intransferível


Eu bem que poderia acreditar neste teu novo plano de um rosto público. Um rosto por inteiro que não se demora mais no meu espelho. Jogar fora o mapa dos nossos cacos. Eu bem que poderia. Imaginar uma vida nova, um amor renovado, sem as relíquias do que amamos, zerar tudo, subir novamente aquela ladeira das Laranjeiras, abandonar outra vez cada casa que deixamos para trás, cada palavra do dicionário, mentir que somos sinônimas, retraduzir um novo o Ser e o Nada, procurar no céu luas árabes, me hospedar no teu cavalo, desenhar outras formas de beijo, colorir o caderninho da rotina, esquecer datas e nomes, deixar que durmam os segredos, falar menos, eu poderia. Mas às quatro da manhã eu acordei e senti minhas pernas sob o lençol. As duas de sempre. São com elas que caminho até a cadeira de balanço e espero por minha mãe morta.

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