4.10.04



IV


nunca sonho que degusto tâmaras, que banho-me com leite de mula, ou que o Nilo se abre para que eu o atravesse a pé. dentro de um pesadelo há sempre outro pesadelo e ali outro pesadelo. em nenhum deles sou Cleópatra. sequer a mosca da padaria. acordo cansada e com o estômago doendo. pode ser fome ou úlcera. dou um gole da garrafa de água mineral sobre a mesa. é fome. encosto o ouvido na porta do quarto. não há vozes. abro a porta e de um pulo estou no corredor e depois no banheiro. tranco a porta. tiro toda a roupa e abro o chuveiro. não penso em nada. nem na água. meia hora mais tarde volto pro quarto, me visto, pego a bolsa, nela as chaves do apartamento. pego minha máquina e saio pro trabalho. a sala? não há ninguém na sala. por que haveria? eu já não disse que moro sozinha?