1.10.04

II


tec tec tec tec tec tec tec tec começa a chover. os pingos batem no peitoril da janela. é meia-noite, parece. do outro lado da porta é tudo silêncio agora. uma mariposa pousa na tela do monitor. o tec tec não a assusta. procuro na gaveta um radinho de pilha. só estática. desligo. vozes chegam da rua, gente que passa na calçada. não quero me aproximar da janela. a altura pode me engolir. levanto da cadeira e dou voltas pelo quarto. flexiono as pernas. ouço o sangue circulando nas veias. batendo nas têmporas. latejando no ouvido. preciso dormir. acendo um cigarro e deito na cama. pode ser que eu durma agora. pode ser que o dia amanheça antes disso. de qualquer jeito acho que falta pouco.