10.9.04

porque a ficção é parte da história


Mata Hari foi executada no pátio do Castelo de Vincennes. O fuzil do jovem oficial que executou a sentença fez correr o seu sangue antes que ela concluísse suas últimas palavras: "Gosto que me matem." No cinema, Greta Garbo mordeu o charuto e a frase foi cortada. Na vida real, Mata Hari, ou Margarette Zelle, foi condenada à morte por se recusar a confessar sua participação no maior contrabando da história. A Basílica de São João de Latrão, a maior e mais antiga de Roma, um verdadeiro museu de relíquias cristãs, teve alguns dos principais itens de sua fabulosa coleção secreta roubados. A saber: todos os originais dos evangelhos gnósticos, as cabeças de São Pedro e São Paulo, a Arca da Aliança, uma urna de maná, a túnica da Virgem, a mesa de jantar da Última Ceia, os cinco pães e dois peixes com que Jesus matou a fome de cinco mil, e, o mais notável, o prepúcio e o cordão umbilical de Jesus. Interrogada pelo serviço secreto francês sobre o destino que dera às relíquias desaparecidas, Mata Hari limitou-se a repetir seus "nada a declarar". O crime só não teve repercussão porque a cúpula papista estalou o chicote para abafar o caso. A Scotland Yard lavou as mãos. O último desejo da suposta espiã antes de ser libertada da matéria foi que sua execução se desse no vigésimo oitavo degrau da Escada Santa. Recusado. A famosa escada que Cristo subira para se encontrar com Pôncio Pilatos também havia sido roubada. O mundo cristão ocidental só contaria com o Santo Sudário dali para a frente. O paninho sujo de Cristo foi o único item que os ladrões deixaram para trás.