1.4.04



Uma escuta atenta sabe ampliar as significações. Espasmos, respirações suspensas, gritos, vertigens, altas voltagens, choques e contrastes. Eis o cenário da vida em sociedade. Deslocamentos desordenados pela sala, onde você espera encontrar um monitor ligado. A crispação da tela que se acende. As imagens se superpondo. Você rasteja na sua imobilidade sobre a cadeira. O espaço cênico se abre. É pegar ou largar. A Web é um espaço fechado mas que induz ao mergulho. Dupla pulsão. Eu acho que participo e entro em transe. Prendemos os dentes e acompanhamos os hipertextos em movimento, embora não se dê importância. O importante é o ritual: estamos no meio do duelo e do triunfo. Você se pergunta o que eu e você fazemos ali. Faz um travelling de sites com enquadramento fechado, como se seus olhos fossem uma câmera você vai e volta, aparentando inocência. Mas não entende nada, segue o ritmo da sedução. Como uma composição musical, você desabrocha em seqüências, modelando a sua imagem em total simbiose com a tela, comigo. Não somos mais desconhecidos, tampouco amigos. Mas nos confundimos, como mercadorias numa barraca de feira, conteúdos em blocos, explosão coletiva numa praia deserta de pixels.