23.4.04



Sim, eu conheci uma noviça rebelde. Seu nome não era Maria, não era Julie Andrews. Nós não estávamos em Hollywood. Para mim a Irmã Domitila era simplesmente Lolita. Que me ensinou a ter mais paciência com o seu Deus enquanto ouvíamos cantos gregorianos e eu vomitava minhas filosofias baratas madrugada adentro. Nós ríamos e secávamos uma garrafa de vinho, porque ela era afinal uma ex-freira mas não era santa. Uma amizade que atravessou anos, sem crenças, cobranças, ao som da música. Do amor puro sem Jesus. E hoje minha noviça rebelde se foi. Há uma estrela lá do lado da lua crescente que eu não sei como vocês chamam, porque para mim é Lolita. Onde sempre haverei de procurá-la. Sempre que descansar em paz.