4.4.04

"Eu me apago sozinho. Não me acendi, mas podes deixar, eu me apago sozinho. Minha vizinha se demora a pentear os cabelos. Ela é adolescente e vai sair. Acredita sinceramente na noite. Passou todo dia pensando na noite. Ela somente acordou para não dormir depois. O que fui em mim ainda será. Não fecho o ciclo, não bato a porta, permaneço acreditando na noite."

O que dizer de Fabrício Carpinejar que todo mundo já não tenha dito, ou, pelo menos, sem cair no lugar-comum? Prefiro calar minha boca, ler os seus textos e ecoar as palavras de José Castello quando afirma que Carpinejar é, sem exagero ou favor, um dos maiores poetas brasileiros de sua geração. E ainda de lambujem, como autor de blog, ele tem a vantagem de saber equilibrar lá um marketing pessoal não-agressivo com a publicação de seus textos, o que mais nos interessa no final das contas.