2.2.04

Emulator

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você não precisa de um binóculo, a janela está sempre aberta. é só olhar. eu sou uma garota normal que se recusa a fazer parte da geração Barbie. acho até que o mundo é um lugar agradável de se viver, quando se é um ser humano. o que não é o meu caso. quando não estou vegetando, gosto de uma roda pra bater um papo e de chapar o melão. à parte minhas desconcertantes certezas ilógicas, sou o meu próprio líder: ando em círculos. não há como deixar de pensar que o destino caprichou no meu sofrimento. ela disse-me assim. ou eu li naquele blog. por que eu sempre acho que já ouvi a mesma coisa mil vezes, exatamente mil vezes? mil vezes nas 923 mensagens no celular, mil vezes nos 546 telefonemas semanais. ando precisando de posts de auto-ajuda. daí eu vi que ela disse: sorria, você está na Bahia! meu look laquê mandei cachear, ficou cantando melosa enquanto puxava o meu piercing da língua & puxava & puxava e o cara dizia pra ela mainha, mainha, diga que eu sou seu painho. tenha dó. a barra de rolagem desceu mais um pouquinho e marcamos um encontro off-blog. pergunta se eu queria? fiquei ouvindo o som do ar-condicionado e concluí que essas coisas só acontecem comigo porque moro no 13° andar, porque escolho X em vez de Y, porque saio de óculos na night quando não deveria, porque no fundo gosto quando alguém chega junto e sussurra assim: você sabia que eu e você somos dois oceanos que precisam se encontrar pra arrebentar e espumar? o que posso dizer? poderia ter sido melhor. como tudo é carnaval, eu poderia dizer quem sabe: dá uma sambadinha aí preu ver se você tem samba no pé. você não precisa de um binóculo. está tudo aqui. ao alcance de um clic. ontem fui a um churrasco no Morro Azul. toda a família comemorando um batizado em cima da laje. de repente todo mundo foi pro chão porque começou uma fuzilaria e carioca que é carioca tem um jeito Matrix de se desviar de bala perdida. o fogo cruzado durou uns vinte minutos. começou a dar tédio até. de barriga pra baixo, bebi 2 latinhas de cerveja enquanto esperava a função acabar. nunca é tarde para ser hard core, eu pensava. quando a carne, o goró e as balas acabaram, todo mundo foi embora. e eu nem vi a criança. daí cheguei em casa e escrevi que não me assusta o ruído das balas porque já o li em algum lugar, coisa que eu não fiz. mas isso você já sabe.