27.2.04

Chegou tarde, já passava da meia-noite, deixou o fuzil 762 em cima da mesa, tirou a .40 e colocou na gaveta do armário, foi para o banheiro e lavou o rosto, o plantão fora exaustivo, enfiar cocaína na boca do viciado, comandar os PMs para bater corretamente em marido valente, forçar suspeito a assinar o boletim de ocorrência, tudo isso cansava demais, prometia toda noite não se envolver pessoalmente, mas gostava, era assim que Mendonça sempre foi considerado, um delegado que fazia o que gostava, tirou a camisa, foi até o quarto de Carol, viu que estava dormindo, as crianças também deveriam estar, achou bom, foi à geladeira, pegou uma cerveja, desceu para o porão, ligou o computador, acessou a internet e entrou no mundo que mais gostava, a braguilha foi aberta, olhava para o monitor fixamente, as calças desceram para os joelhos, estava quase gozando quando ouviu um barulho, olhou pelas escadas, não devia ser nada, abriu os botões da camisa, continuou vendo as fotos de pedofilia e finalmente gozou, abriu a gaveta da escrivaninha, tirou uma toalha, passou pela barriga e pelas pernas, cheirou a toalha e decidiu deixá-la no cesto para Carol lavar.


Ferréz, em Manual Prático do Ódio, 2003.