6.12.03

Os piores versos célebres




"a água que me chama
em mim deságua
a chama que me mágua"

-- Paulo Leminski, em "Caprichos&Relaxos".


"índigo nesse buraco?"

-- Haroldo de Campos, em "Xadrez de Estrelas".


"onde onda
és pluma
espuma
espumas

onde onde
onde ancas
onde antro
onda entro

onda a onda
entre ente
dente adentro
amordendo-te

onde onda
uva volves
me envolves
envolventre

onda onde
somos nós
somos sóis
assomos somos

onde onde
me fundes
sol vida
sorvida"

-- Félix de Athayde, "Corpo a Corpo".


"Alma divina,
por onde me andas?
Noite sozinha,
lágrimas, tantas!

Que sopro imenso,
alma divina,
em esquecimento
desmancha a vida!

Deixa-me ainda
pensar que voltas,
alma divina,
coisa remota!

Tudo era tudo,
quando eras minha,
e eu era tua,
alma divina!"

-- Cecília Meireles, em "Viagem".


"Não é o grito
A medida do abismo?
Por isso eu grito
Sempre que cismo
Sobre tua vida
Tão louca e errada...
-- Que grito inútil!
-- Que imenso nada!"

-- Vinicius de Moraes, em "Para Viver um Grande Amor".


"Não amo
melhor
nem pior do que ninguém.
Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ora ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.
Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente."

-- Afonso Romano de Sant'Anna, "O amor e o outro".


"gosto muito de te ver leãozinho
caminhando sob o sol
gosto muito de você leãozinho
para desentristecer leãozinho
o meu coração tão só
basta eu encontrar você no caminho (...)"

-- Caetano Veloso


"Mulheres
têm dois
peitos. Os
homens têm
um peito só."

-- Arnaldo Antunes, em "as coisas".