27.8.03

...Então me pus a pensar nos seus escritos, nas suas reflexões relevantes e translações diárias em torno de seu próprio eixo. Cheguei à conclusão de que é este o tipo de coisa que distingue o gênio do simples transeunte popular: a capacidade de usar o maior número de símbolos possível sem que qualquer coerência seja respeitada e tornando (brilhantemente) a comunicação em todas as frases do texto algo equivalente a 0 (zero).

Você é bom nisso. Logo, devia entrar pro Sindicato dos Notáveis e dedicar o resto da sua vida sendo um ermitão. Pois saiba que eu sempre quis ser uma ermitã, sempre, mas nunca contei pra ninguém. Passar os dias fazendo rabiscos antiquíssimos na parede, pregando aos pássaros e aos peixes, morando em cima de uma coluna e mudando de década em década apenas para viver em outra mais alta. E trocar meu nome por uma série de símbolos gregos, para que ninguém mais possa me encontrar na Lista Telefônica (eles ligam. Eles sempre ligam. É terrível). Como você pode ver, a proposição "virar ermitã" (com H seria melhor) não consta na lista de impedimentos acima enumerados e ainda está em pauta. Contanto que eu tenha um microondas e meias de lã, claro.

Mas vou embora, no momento, pois você tem que se acostumar a se virar sozinho. Tem salsicha e frango cozido no congelador, não se esqueça de colocar as crianças pra dormir antes das 5. Estou deixando uma porção de parênteses na cômoda ))))))))))))))), para que você não tenha que se preocupar em fechá-los quando escreve. Os parentes (os seus) estão no armário. Descongele antes de fritar.


-- Damnzine