6.1.03

Poetas ou scramblers?



Poetas são scramblers desde as primeiras décadas do séc.20 quando o dadaísta Tristan Tzara deu a sua receita para se fazer um poema dadaísta:

"Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público."

Entre dadaístas e "tribalistas" a diferença talvez esteja no espírito de época, ou no espírito dos métodos. Augusto de Campos deve ter sorteado no seu saquinho onomatopaico os significantes que julgou mais apropriados para confeccionar o seu poema fonético "Hiroshima, meu amor":

"Berr...bum, bumbum, bum...
Ssi...bum, papapa bum, bumm
Zazzau...Dum, bum, bumbumbum
Prä, prä, prä... râ, äh-äh, aa...
Haho!..."