9.1.03

"foi quando a boca do céu se partiu em pedaços -- e as carcaças de lobo não foram poucas. em algumas esquinas se fez uma grande festa, despropositada, onde se gritavam frases incompreensíveis, desarticuladas, em alta voz.

disseram-lhe então, mesmo que em névoas sonhadas: esse dado é tua vida. veja como o lançamos, descuidados, em poças de merda, em pântanos sujos -- e tenta ver, se quiser, que possível resultado se formou lá no fundo, se fizer de fato alguma questão de ver seja lá o que for."

Este texto é só um fragmento dos "Cantos Esquizofrênicos" que o misterioso Nel, ou p13571113, leitor-poeta/poeta-leitor deste blog, enviou-me gentilmente, a meu pedido. Desnecessário explicar mais. Nel é um poeta em silêncio. Era.

"Uma vida contemplada em bandeiras cinzentas.
-- seus olhos: quando foi que se tornaram tão inúteis?
sua própria vida. do que lhe restava,
(era possível esperar ainda) esperava não mais
que a caminhada macia, a contemplação cega.
-- deixa os dias passarem, deixa que passem
os dias...
os olhos de meu pai: digo que faz bem em se mudar pra praia.
os olhos de meu pai: e o medo de que não sejam espelhos."