8.10.02

Faça-se o cogumelo

"Sentimo-nos como se estivéssemos presentes no momento da criação, quando Deus disse 'Faça-se a luz' ... a imensa nuvem de cogumelo por um instante pareceu a gigantesca estátua da Liberdade, o braço elevado para o céu, simbolizando o nascimento de uma nova liberdade para o homem." (General Leslie Groves, comandante do Projeto Manhattan que desenvolveu a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial e um dos idealizadores do Pentágono.) Duas bombas seriam lançadas no Japão. Uma sobre Hiroshima, a "Little Boy", e outra sobre Nagasaki, a "Fat Man". O resto da tragédia já se sabe. O presidente Truman, ao ser entrevistado anos depois, diria a respeito de seu primeiro pensamento ao saber do programa atômico: "Eu esperava que desse certo, principalmente porque custou 2,6 bilhões de dólares, o que dava uma média de 400 milhões por quilo de bomba...um explosivo caro demais." Uma pesquisa do Gallup feita em 1944 revelou que 13% dos americanos eram favoráveis à eliminação do povo japonês por meio do genocídio. Estima-se que, até 1950, 350 mil pessoas morreram como resultado direto das bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.
Em 20 de agosto de 1998, o governo americano usou mísseis de longo alcance para destruir uma fábrica de remédios na capital do Sudão, com a justificativa de que a fábrica produzia gás dos nervos para ser usado por agentes de Bin Laden. Como se provaria logo depois, esse argumento era falso, a fábrica produzia apenas remédios contra a malária e a tuberculose, e drogas de uso veterinário. A Medical Emergency Relief International, entidade de ajuda humanitária sediada em Londres, declarou que na época do ataque americano, o Sudão passava por uma grave epidemia de malária, o que transformava a destruição da única fábrica do país que produzia remédios contra a doença num grave crime contra a humanidade.
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