4.10.02

Aos 100 anos de Drummond

É noite. Sinto que é noite. E amanhã o nome, letra por letra, se desletrará. Farta de komunikar-me na pequenina taba, no pavilhão da komunikânsia interplanetária interpatetal, eis-me prostrada a vossos peses, que sendo tantos todo plural é pouco.

Cem anos: espelho d'água ou névoa? Que palavra é essa que a vida não alcança ainda quando morte esculpida em vida? Sede que bebo, vento que me arrasta, há uma hora em que todos os bares se fecham porque você não está mais na idade de sofrer por estas coisas e tudo que se pensa, tudo que se fala, tudo que se conta não passa de papel. Vamos para a Lua, Carlos. Vamos para Marte. Vamos a outra parte. Sem tir-te nem guar-te amanhã o nome, letra por letra, se desletrará.
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